Economia & Negócios

Compra escolar: posso levar meu filho?

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Com as férias dos filhos chegando ao fim, os pais já começam a se preocupar com a relação dos materiais escolares que serão usados neste ano letivo. E nessa hora, uma dúvida atormenta a maioria das famílias: Será que as crianças devem acompanhar os pais durante as compras para falar sobre as suas preferências ou a presença delas e suas escolhas, muitas vezes pautadas pela moda, acabam ?pesando? no orçamento?

Na opinião da psicóloga clínica e psicoterapeuta Gretta Rodrigues de Souza, é importante que os pais acompanhem a rotina dos filhos e conheçam seus principais gostos, personagens favoritos. Contudo, de acordo com ela, na hora das compras, dependendo da idade das crianças, o melhor mesmo é deixá-las em casa.

"Eu acho importante que a gente saiba as preferências dos filhos, mas não para comprar tudo aquilo que eles querem. De repente, só o que está dentro do orçamento para agradar um pouco aos filhos", diz. "Mas na hora da compra mesmo, é aconselhável que não se leve os filhos junto porque eles ainda não têm esse discernimento (sobre os valores)".

Para que as crianças tenham condições de participar desse processo de escolha, a psicóloga defende um diálogo aberto entre pais e filhos, que deve começar nos primeiros anos de vida. "Desde os 3, 4 anos, a gente fala que as crianças já conseguem ter uma noção do que é caro, do que é barato, observando o dia a dia dos pais", explica. "Se é uma família que tem isso, ela não vai ter tanto problema em levar os filhos junto".

Independentemente da presença deles, Souza destaca que é importante que os pais procurem atender alguns pedidos dos filhos, explicando que aquilo é o que pode ser comprado sem que o orçamento da família fique comprometido. "Eles vão ficar o ano inteiro com aquele material. É legal que tenha alguma coisa que seja aquilo que eles querem também. Não tudo, porque realmente vai ficar muito mais caro", pontua.


Conversa boa

A professora Lúcia Benício, 36 anos, estava ontem em uma papelaria com a filha Julia Pardini Benício, de 7 anos. Contudo, o passeio tinha como objetivo encontrar um presente para um conhecido. A compra do material escolar da pequena foi feita há alguns dias, segundo a mãe, e sem a filha. "Ela queria vir, mas eu conversei com ela, expliquei e ela entendeu", diz.

"Comprei aquilo que estava dentro do orçamento, um estojinho bonitinho, mas o material mesmo, acabei comprando do mais em conta". A professora relata que também tem um filho de 4 anos, com quem é mais difícil chegar a um consenso. "Com ela ainda dá para negociar, mas com o menor não", diz.

O agropecuarista Tiago Rodrigo Augusto Grano, 27 anos, veio de Pirajuí acompanhado da mulher e dos dois filhos, Kauan Grano, de 2 anos, e Augusto Grano Neto, de 9 anos, para comprar os materiais que serão utilizados pelas crianças neste ano letivo. "Eles escolhem porque é para eles, não é para a gente", afirma.

O pai, contudo, admite que nem sempre é fácil driblar os pequenos. "Eu costumo fazer uma troca com eles para deixar uma coisa e levar outra", revela. "Eles entendem em partes, mas entendem". Durante a entrevista, o maior cutucou o pai para saber se poderia levar para casa uma borracha e um apontador. "Com esse é mais difícil", entrega o agropecuarista.

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Ipem e Procon fazem ?Operação Volta às Aulas?

Amanhã e terça-feira, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem) e a Fundação Procon, órgãos vinculados à Secretaria da Justiça, realizarão em oito cidades a "Operação Volta às Aulas", que vai intensificar a fiscalização de materiais escolares, bastante consumidos nesta época do ano. O objetivo é averiguar se o conteúdo do produto corresponde ao indicado na embalagem. No total, serão verificados 136 lotes de itens escolares.

Coletados em estabelecimentos de pequeno, médio e grande portes, além de lojas especializadas e fabricantes, produtos como papeis sulfite, canson e vegetal, cadernos, purpurina, glitter, colas, tintas, papeis e plásticos para encapar, dentre outros itens, serão examinados simultaneamente nos laboratórios do Ipem de Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Carlos, São José dos Campos, São José do Rio Preto e São Paulo.

Representantes das empresas fiscalizadas são previamente convidados a presenciar a análise. Em caso de irregularidade, os responsáveis são autuados e têm dez dias para apresentar defesa ao Ipem. A multa varia de R$ 100 a R$ 1,5 milhão, dobrando em caso de reincidência. Em Bauru, serão analisados corretor de texto, papel e plástico para encapar, fita adesiva e dupla face.

Em caso de dúvidas, reclamações ou denúncias, o consumidor pode recorrer ao serviço de Ouvidoria do Ipem, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone 0800-0130-522, ou enviar e-mail para ouvidor-ipem@ipem.sp.gov.br.


É preciso impor limites

A maquiadora Andreza Pompei, 37 anos, optou por deixar o filho Lucas Pompei, de 8 anos, acompanhar a compra dos itens escolares. "Ele tem que dar a opinião dele", justifica, embora acabe confessando que nem sempre é fácil impor limites. "Ele não entende. Mas a gente tenta primeiro ir pelo gosto dele, pelo personagem. Depois, vai pelo preço".

A mãe explica que, pelo fato de Lucas ser filho único, o que reduz os gastos, acaba sempre tentando, na medida do possível, comprar o que ele pede. "A gente também foi assim", declara. Quem também ajuda a garantir esse ?tratamento privilegiado? ao garoto, segundo ela, é o avô dele, Leôncio Pompei, 69 anos, que também não mede esforços para agradar o neto.

Já a assistente social Marilene de Jesus Vaz dos Santos, 50 anos, preferiu ir às compras escolares sem o filho Victor Gabriel Pereira dos Santos, de 10 anos, para evitar gastos adicionais que possam comprometer o orçamento. "Fica difícil (trazer o filho) porque eles querem a novidade, né? E a novidade sai caro", afirma.

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