"Estou amamentando meu segundo filho e também é a segunda vez que sou doadora. É gratificante saber que meu leite pode beneficiar outras crianças além das minhas". O relato é da administradora Cláudia Regina da Cunha Taira, que há mais de um ano doa seu leite e aconselha outras mães a terem o mesmo gesto que pode até salvar vidas.
Os Bancos de Leite pedem e recebem doações o ano todo, no entanto, entre dezembro e fevereiro, devido às festas de fim de ano e período de férias, os estoque sofrem grande queda. Mas a demanda de crianças que precisam do leite continua a mesma.
Segundo a nutricionista e coordenadora do órgão em Bauru, Maria Nereida Panichi, a queda no número de coletas sempre diminui nessa época do ano, porém, algumas vezes, o Banco consegue estocar e, com isso, segurar as pontas nos meses mais escassos. "Porém, em 2011, trabalhamos sempre no limite", explica.
Já Cláudia faz questão de frisar que, mesmo tendo um certo trabalho por muitas vezes retirar o leite na madrugada, a recompensa da doação é sem tamanho: "Eu conheci alguns bebês beneficiados com o meu leite, e ver o crescimento deles me proporcionou uma felicidade indescritível. Quando tomam leite materno, os bebês praticamente não adoecem e acredito que esse é o meu maior incentivo. Já cheguei a doar três litros em uma semana".
Quem também fez questão de procurar o Banco para se cadastrar como doadora foi a auxiliar administrativa Milena Carla de Almeida. Amamentando o terceiro filho, ela percebeu que estava produzindo leite em grande quantidade e que sempre sobrava após as mamadas. "Fiquei com dó de jogar fora e decidi doar".
A decisão foi certeira, segundo a mãe. Doadora de primeira viagem, ela fez contato com o Banco e recebeu a visita de uma equipe que a orientou sobre os cuidados com higiene, coleta e armazenamento. "Eles vêm buscar o leite uma vez por semana e percebi que até meu corpo ganhou com a doação. Digo isso porque meus seios pararam de doer por causa do acúmulo de leite", acrescenta Milena.
Quem pode doar
Atualmente, segundo a coordenação do Banco de Bauru, cerca de 30 crianças precisam receber doações de leite materno. Normalmente, os bebês que não podem ser alimentados pelas mães estão doentes, internados em hospitais ou são prematuros. "Para esses pequenos, o leite é mais do que um simples alimento, é também remédio", afirma Nereida.
Quanto às doadoras, a média é de 35 mães e, hoje, a cidade não conta com mais de 25. Segundo Nereida, para ser doadora, é preciso ter bastante leite, ser saudável, não fazer uso de determinados medicamentos, apresentar os exames de pré-natal e passar por uma avaliação clínica e orientação no próprio órgão.
O primeiro contato deve ser feito pelo telefone (14) 3226-3227 ou mesmo no Banco de Leite Humano de Bauru que fica na Praça das Cerejeiras, 1-40, e atende das 7h às 17h, de segunda a sexta-feira.