Porto Alegre - Os brasileiros que estavam no navio de luxo Costa Concordia, que naufragou na noite de sexta na Itália, já começaram o retorno ao País.
Porém, o número de brasileiros a bordo pode ser maior do que os 53 divulgados inicialmente pela operadora e repassados para o Itamaraty. O posto diplomático brasileiro em Roma informou ter atendido ontem outras três pessoas que não estavam na contagem inicial - elas constavam da lista americana.
A operadora Costa ficou de mandar até hoje a listagem atualizada para o Itamaraty. Segundo o Consulado do Brasil em Milão, 26 pessoas foram atendidas até à 0h de anteontem para acertar a documentação necessária para a volta ao País.
A maior parte já embarcou, afirmou Claudio Barbieri, da assistência consular, com destino a Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza.
Sete pessoas recebidas ontem pelo posto em Roma não têm previsão de embarque.
Segundo o Itamaraty, não há desaparecidos, feridos ou mortos entre os brasileiros.
A passageira Viviane Luz Scheffer, 51 anos, disse que a tripulação ficou "mais apavorada do que os passageiros" durante o salvamento. Ela viajava em um grupo de 11 familiares, que chegou ontem a Porto Alegre.
Viviane afirma que houve pânico quando o bote salva-vidas em que estava emperrou na descida, problema resolvido "a marretadas", em meio à inclinação do navio. "Uma parte do grupo (de familiares) ficou em um bote e o restante, em outro. Foi um momento de preocupação intensa."
A família perdeu todos os documentos e bagagens. A professora diz que vai aguardar a manifestação da empresa nos próximos dias. "Esperamos nossos direitos."
Quatro membros da mesma família que estavam no navio chegaram ontem a Brasília, vindos de Lisboa.
O funcionário público João Squeff, a mulher, Rose, e os dois filhos conseguiram recolher casacos, roupas, equipamentos eletrônicos e dinheiro antes de deixarem o barco.
Eles reclamaram da falta de apoio da Costa e disseram que vão cobrar da empresa indenização e reembolso dos gastos que tiveram. Os filhos não pretendem voltar a um cruzeiro. "Nunca mais. É uma experiência horrível, passa pela sua cabeça que você vai morrer", diz Eike (leia mais na página 16).