As novas tecnologias criaram um novo e farto campo de ação para os estelionatários. No lugar do velho e conhecido golpe do bilhete premiado, agora o mecanismo para ludibriar vítimas desavisadas é o meio digital.
Seja por e-mail, falsos sites bancários ou de compras e mesmo mensagens via celular, eles utilizam todos os argumentos e estratégias com o único objetivo de roubar o seu dinheiro. Por mais que aplicação deste tipo de golpe seja mais propícia em época de festas natalinas, quando as pessoas estão com mais dinheiro no bolso e as promoções e sorteios de prêmios se tornam comuns, é preciso estar atento também durante o início do ano.
Na semana passada, por exemplo, uma farmacêutica bauruense perdeu R$ 10 mil após aparentemente ser alvo de um golpe aplicado por uma empresa identificada como Oficial Guias Online, que mantém um guia de serviços na Internet. Depois de matéria publicada no JC, no último dia 9, outros dois estabelecimentos da cidade entraram em contato para relatar que foram vítimas da mesma fraude.
Nos três casos, o modo de ação foi o mesmo: uma pessoa telefona e solicita a confirmação de dados do estabelecimento, destacando que a inserção do nome da empresa no guia online não gerará custos ao proprietário. Em seguida, encaminham formulários com valores a serem assumidos pela vítima, mas sem avisá-la deste ônus.
Após conseguirem a devolução do contrato assinado, voltam a ligar para fazer a cobrança. Caso o valor não seja pago, ameaçam protestar o título e bloquear a conta do empresário na Justiça.
Segundo o delegado Fábio Mariotto, do 3º Distrito Policial (DP), que abrange a região central de Bauru, este tipo de estelionato já fez algumas vítimas na cidade. O golpe virtual campeão, entretanto, continua sendo aplicado diretamente nas contas bancárias dos bauruenses.
"Pode ser através de um site falso, parecido com o do banco, ou mesmo por um e-mail que instala um vírus no computador da vítima. É um tipo de fraude que pode tirar todo o dinheiro que o correntista tem guardado", alerta.
Outra prática comum é enviar mensagens de texto para celulares, informando o dono do aparelho sobre um prêmio que ele irá receber. Geralmente, no torpedo consta um outro número de telefone para quem o "sortudo" deve retornar.
Durante a conversa, a intenção, segundo delegado, também é obter dados para invadir contas bancárias das vítimas. "O criminoso pede o número dos documentos pessoais e da conta bancária. Ainda que o golpe não seja feito na hora, elas se tornam vítimas em potencial", frisa.
Sites de compras
A população também deve ter cautela antes de fazer compras em sites que não sejam reconhecidamente seguros. No início deste ano, a Fundação Procon-SP denunciou 29 endereços eletrônicos que não entregaram o produto comercializado aos consumidores.
"São sites desconhecidos que oferecem, principalmente, eletroeletrônicos a preços muito abaixo da média. Para fazer uma compra segura, primeiro o consumidor deve consultar os órgãos de proteção ao consumidor", observa Thiéser Juliano Manso Collis, supervisor da Fundação Procon em Bauru.
Em todos os casos, a orientação é sempre desconfiar de propostas muito convidativas e nunca fornecer informações pessoais a desconhecidos. Não acreditar em falsas promessas é a única alternativa para não perder dinheiro, já que, depois de aplicado o golpe, dificilmente a vítima conseguirá reaver os valores perdidos.
O próprio Procon, assim como a polícia, reconhece que ainda encontra dificuldades para identificar os responsáveis e punir este tipo de prática, já que os estelionatários virtuais atuam como verdadeiros fantasmas, sem nome e endereço que possam ser localizados. "Na maioria dos casos, é impossível dar continuidade ao processo. A notificação é enviada pelos Correios, mas a correspondência volta porque os endereços não existem. Ficamos de mãos atadas", observa Collis.
Serviço
A quem recorrer:
Procon: (14) 3366-6050
Polícia Civil: (14) 3224-3160
Na Internet (para verificar a idoneidade dos serviços): www.reclameaqui.com.br