A polícia da moralidade do Irã está reprimindo a venda de bonecas Barbie para proteger o público do que vê como uma cultura ocidental perniciosa erodindo os valores islâmicos, disseram lojistas nesta segunda-feira (16).
Enquanto o Ocidente impõe as sanções mais duras contra o Irã e a tensão aumenta por causa de seu programa nuclear, dentro do país a proibição à Barbie é parte do que o governo chama de "guerra leve" contra influências culturais decadentes.
"Há cerca de três semanas eles (a polícia da moralidade) vieram até a minha loja e pediram que eu retirasse todas as Barbies", disse um comerciante de uma loja de brinquedos no norte de Teerã.
Os governantes religiosos do Irã primeiro declararam em 1996 que a Barbie, fabricada pela empresa norte-americana Mattel Inc, não era islâmica, citando "consequências sociais e culturais destrutivas". Apesar da proibição, até recentemente a boneca era vendida abertamente nas lojas de Teerã.
A nova ordem, divulgada há cerca de três semanas, obrigou os lojistas a esconderem a boneca loira de pernas longas e seios grandes por trás de outros brinquedos, a fim de continuar atendendo à demanda popular e, ao mesmo tempo, evitar o fechamento do estabelecimento pela polícia.
O Irã trava uma batalha para evitar que a cultura ocidental penetre no país desde que a revolução islâmica derrubou em 1979 o rei apoiado pelo Ocidente, em 1979, impondo códigos de vestimenta islâmica, proibindo a música ocidental e a televisão estrangeira por satélite.