Dificuldades operacionais e no cumprimento do contrato para instalação de galerias de águas pluviais colocam em risco o maior programa de pavimentação de Bauru neste etapa. Neste momento, 30 bairros podem deixar de ter ruas de terra se a empresa Bemop não cumprir o contrato e corrigir problemas.
A informação foi confirmada ontem à noite pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). A Bemop, de Votuporanga (SP), venceu a licitação com uma redução no pregão de cerca de R$ 700 mil, o que a tornou vencedora da concorrência de R$ 9 milhões para instalar galerias em 30 quilômetros de ruas. Sem a benfeitoria estrutural, não há como instalar a pavimentação, etapa também já contratada pela administração municipal.
"A construtora ganhou a licitação com um grande desconto, quase R$ 700 mil e na hora do pregão as construtoras que já atuam aqui não quiseram disputar essa diferença no preço. Agora nós estamos apertando para que o contrato seja cumprido. A empresa Bemop começou a ter problemas em várias frentes de trabalho e esse é um programa que atinge 30 bairros e muita gente ficaria prejudicada", comenta Rodrigo.
O prefeito espera que as notificações sejam resolvidas. "Nós precisamos instalar as galerias, senão põe em risco o programa de pavimentação. A empresa começou com problemas, em novembro, e agora tem a chuva atrapalhando também. Mas a empresa tem de se ajustar ao que está estabelecido no contrato", acrescenta Agostinho.
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, sublinha a preocupação. "Temos problemas com a empresa desde novembro, quando ela começou a trabalhar. Tem questões pendentes em sete frentes de trabalho. As instalações até estão no prazo, mas tem pontos a resolver na qualidade do serviço executado, tem de refazer serviços, completar outros. Estamos cumprindo as etapas de notificação, tem de resolver", fala Areco.
A autuação
Ontem, a prefeitura realizou a primeira autuação contra a Bemop. "Nós intervimos várias vezes, apresentamos os problemas e notificamos duas vezes. Agora o passo já foi notificar. Estamos atuando para resolver, mas não podemos ficar esperando. O plano de asfalto corre risco. Queremos ver feita a obra de galerias, mas tem de cumprir o contrato. Não vamos aceitar o serviço a qualquer preço. Se não tiver alternativa, o caso vai para o Jurídico atuar", antecipa o secretário.
A Secretaria de Obras já identificou valas abertas em diferentes bairros, sem continuidade dos serviços, tubulação e caixa de centro que já rodou e falta de conexão e de boca de lobo em vários pontos.
Outra questão a ser esclarecida é se a Bemop está realizando ou não terceirização da mão de obra. "A empresa apresentou frente de trabalho com menos gente do que deveria e agora tem de esclarecer o que é a Fortuza nessa história. Porque o contrato é claro que qualquer terceirização só pode ser feita com autorização da prefeitura", acrescenta Areco. Na frente de trabalho da Vila Nipônica, ontem, trabalhadores instalavam tubos de galeria com macacão da Fortuza.
Galeria no Bosque
A Secretaria de Obras está em fase de conclusão do processo de ampliação do sistema de galerias no Bosque "Eliseu Victor Fornetti", no Parque União, região noroeste da cidade. O serviço é realizado por equipe própria, da prefeitura.
Ontem, os técnicos da Divisão de Drenagem da Secretaria concluíram a segunda etapa de trabalhos na parte baixa do Bosque, com o assentamento de 22 metros de tubos de concreto de 1,5m x 1,5m, em substituição aos tubos galvanizados, que já estão danificados. Falta apenas a construção de duas bocas de lobo e uma caixa de centro para finalizar a obra.
Na primeira etapa de trabalhos, terminada no último dia 21 de dezembro, foi construído o dissipador e assentados nove tubos de concreto na parte alta do Bosque. Segundo a Secretaria de Obras, trata-se de um trabalho preventivo, com o objetivo de ampliar a capacidade de absorção da água da chuva que desce dos bairros das proximidades e chega ao leito do Córrego Água do Castelo.