Cultura

Sharon Jones revisita o soul sem parecer uma mera cópia


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A cantora norte-americana Sharon Jones é uma das vozes mais brilhantes de uma cena musical que resgata a época de ouro do soul e do R&B (fim dos anos 1960, início dos 70) e que se popularizou na última década como "retro soul" (ou soul retrô). Tivesse 20 e poucos anos como outras intérpretes desse revival, Jones teria dividido os holofotes com Amy Winehouse ou Adele.

Mas pop e "frescor" se confundem, e uma mulher de 55 anos, mesmo com um vocal divino como o de Jones, está fadada a brilhar só no circuito "cult". Isso a despeito de que, ao vivo, ela mostre também muito mais suingue e vigor do que essas jovens divas - quem assistiu às suas apresentações no Brasil, no ano passado, há de concordar.

"I Learned the Hard Way" (2010), primeiro (e único) registro de Sharon Jones lançado no país, apresenta a "rainha do soul retrô" e sua banda, The Dap-Kings, em seu álbum mais apurado.

Sob a batuta de Bosco Mann, codinome do produtor, instrumentista e mentor do conjunto, Gabriel Roth, o quarto trabalho do grupo atualiza a sonoridade clássica do soul por meio de uma orquestração refinada, que sobrepõe instrumentos de corda, piano e percussão, entre outros, criando climas grandiloquentes, como na faixa de abertura, "The Games Get Old", ou no hit "I Learned the Hard Way" - cujo videoclipe, rodado em visual "blaxpoitation", está no YouTube.

Essa herança, que remete aos melhores momentos de Marvin Gaye, de Aretha Franklin ou de James Brown, é reforçada pelo afinado coro de backing vocals que escolta Sharon Jones e pelas letras, sobre perdas e ganhos amorosos. Sharon Jones & The Dap-Kings não soa como cópia do passado, graças ao talentoso time de instrumentistas e à interpretação dela.

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