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Apas: é hora de substituir sacolinhas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

O fim das sacolinhas plásticas está cada vez mais próximo. Na próxima quarta-feira, 25 de janeiro, os supermercados deixarão de oferecer as sacolas descartáveis como ação da campanha "Vamos tirar o planeta do sufoco", realizada em todo o Estado. A data foi escolhida por ser aniversário de São Paulo.

A medida, que visa conscientizar a população para o uso de embalagens reutilizáveis, terá um impacto em Bauru de cerca de 900 toneladas do material, depositado anualmente no aterro sanitário.

Dessa forma, no dia 25 de janeiro, estabelecimentos de todo o Estado de São Paulo deverão realizar a substituição das sacolas conforme explicou o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas) em Bauru, Erlon Carlos Godoy Ortega.

"É uma ação de quase todos os municípios. Marília (100 quilômetros de Bauru), por exemplo, já começou há alguns dias a substituição e a população está aderindo", afirmou o diretor regional da Apas.

"Nós não estamos salvando o planeta, mas pelo menos diminuiremos o plástico na cidade", enfatiza o prefeito Rodrigo Agostinho, que esteve ontem pela manhã no lançamento oficial da campanha "Vamos tirar o planeta do sufoco" na Apas. Ele também assinou termo de cooperação com a entidade.

De acordo com o prefeito, a medida tomada pelos comerciantes é uma boa iniciativa por suprir a falta de interesse que o mercado possui em relação à causa. "Apesar de a sacola plástica ser reciclável nenhuma empresa trabalha com isso, por conta do peso e do volume. É preciso coletar muito para ganhar alguma coisa e a atividade acaba se tonando inviável", ressalta o prefeito.

Por mês, Bauru chega a disponibilizar no mercado mais de 15 milhões de sacolas plásticas. Essa quantidade refere-se a um total mensal acumulado em 75 toneladas, que vão diretamente para o aterro sanitário municipal.

Desde o ano passado, a cidade se prepara para receber a campanha. Ações educativas, publicidade em outdoors, teatros em escolas municipais e materiais disponibilizados em vários supermercados pela cidade fizeram parte do planejamento para conscientização da ação.

Sem força de lei, a iniciativa faz parte de um acordo assinado entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do Estado. A ação é o primeiro passo para a adequação à nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS).

A sacola plástica tem sido condenada por ambientalistas por ser um produto derivado do petróleo, recurso natural não renovável. Estima-se que sua decomposição na natureza demore mais de 100 anos para acontecer.


Alternativas

Como alternativas para a extinção das sacolinhas, os consumidores poderão adquirir sacolas reutilizáveis feitas de pano, lona, palha, TNT ou até mesmo de plástico. Carrinhos de feira, caixas de papelão, caixas de madeira e engradados estão entre as opções para as compras de maior volume.

Os supermercados que aderiram ao movimento oferecem, há algum tempo, as gôndolas com sacolas reutilizáveis à venda. O preço desses produtos costuma variar de acordo com o estilo e o peso suportado.

Segundo o diretor regional da Apas, ainda não existe uma lei de medida exata para essas sacolas, mas na média as pequenas suportam 6kg e as maiores chegam a transportar 15 kg de mercadorias. O preço desses produtos pode variar de R$ 1,99 a R$ 15,00, dependendo do design da sacola.

Outro ponto que não pode ser esquecido em relação às sacolas retornáveis é que esses produtos precisam ser devidamente higienizados. Ao longo o tempo, as sacolas podem acumular bactérias que podem ser transferidas para os alimentos.

Para amenizar os efeitos do período de transição, grande parte dos supermercados disponibilizará para a venda uma sacola plástica parecida com as sacolinhas de hoje. Essas embalagens descartáveis são feitas de amido de milho, portanto, com tempo de degradação menor e terão custo de R$ 0,19 por unidade.

Segundo Ortega, essas sacolas são idênticas às de hoje, porém, com uma coloração um pouco mais esverdeada e, serão vendidas pelo preço de custo. "No primeiro momento, para não deixar na mão o cliente que não se habituou ou esqueceu a sacola em casa, iremos oferecer essa opção, mas isso será temporário. Nós não queremos descartar a de 100 anos pela de um ano. Com o tempo ela não existirá mais, pois o lema da campanha é o uso de meios retornáveis", completou Erlon Carlos Godoy Ortega.


Redução nos preços

De acordo com diretor regional da Apas, Erlon Carlos Godoy Ortega, apesar da sacola ser retirada da planilha de custos dos supermercados, os consumidores não irão sentir, de imediato, fortes impactos na redução de preço dos produtos no bolso.

"Não posso dizer que vai haver uma redução de preços porque alguns mercados possuem mais 20 mil itens. Por exemplo: baixa o preço da safra do feijão e não poderemos falar que foi por conta da sacolinha. O que podemos dizer é que os supermercados sentirão o efeito em relação à concorrência com a região. Não tendo na planilha de custo o valor da sacola, automaticamente isso virará objeto para guerra de preços."


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?Substituir não basta, é preciso repensar?


Para o secretário do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, a medida será benéfica, mas a substituição das sacolas deve vir acompanhada de ações que visem a redução no uso do plástico de maneira em geral.

"O fato de substituirmos a sacolinha por qualquer outro material não trará, necessariamente, um benefício direto. Tirar o plástico da sacolinha e continuar mantendo o plástico em outras embalagens não resolve o problema na natureza. Lógico que uma grande quantidade de material vai deixar de ir para o aterro e isso será bom, mas com a substituição, o problema vai continuar existindo. A conscientização da população sobre o assunto é o mais importante", considera o titular da Semma.

De acordo com Valcirlei, o grande problema enfrentado hoje pelo município sobre o assunto é o descarte inadequado das sacolas, que acaba atingido rios e causando problemas no sistema de drenagem da cidade. Para ele, é preciso conscientização das pessoas para que não joguem sacolas e nenhum outro tipo de embalagem plástica na rua.


Fala-povo: ?Você já trocou o plástico por uma opção sustentável??

"Na verdade eu sempre esqueço a sacola retornável, mas é questão de costume. Estou me adaptando."

Neusa Moraes, 46 anos,pedagoga

"Já faz tempo que eu estou usando as sacolas retornáveis. Eu a deixo sempre no carro porque é mais prática para levar as compras."

Márcia Modolo, 45 anos, doceira

"Já faz tempo que eu uso sacola retornável. Ontem eu fui à feira e acabei esquecendo a sacola em casa. Evito ficar pegando caixas de supermercado, deixo sempre um engradado no carro."

Ana Maria Zeitel, 44 anos, advogada

"Estou me adequando, mas às vezes esqueço de trazer a sacola. Se não me engano, o mercado vai dispor a sacola biodegradável, então, não tem tanto problema assim caso eu esqueça"

Claudemir Cunha, 44 anos,motorista

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