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Ex-diarista de Sandro quebra silêncio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Foi uma conversa breve e contraditória mas, ao mesmo tempo, reveladora. Na tarde de ontem, após contato telefônico do Jornal da Cidade, a ex-empregada de Sandro Luiz Fernandes decidiu quebrar o silêncio e falar sobre a gravação do diálogo que supostamente teve com o advogado bauruense no último dia 7 (leia ao lado transcrição da conversa entre a ex-diarista e o JC).

Trata-se de um vídeo divulgado pela imprensa no domingo passado, em que uma mulher ? identificada por Sandro e Fernanda Fernandes como sendo a diarista - revelou que mentiu ao acusar o advogado de abuso sexual em troca de uma promessa de recompensa de R$ 5 mil, que seria paga por outra vítima do processo. Em contato com a reportagem, a ex-funcionária negou que tenha ligado ou mesmo falado com Sandro.

Depois, entretanto, voltou atrás e repetiu por diversas vezes que "não sabe de nada". A diarista também se mostrou contraditória ao afirmar que não está com medo dos desdobramentos do caso e da própria gravação da conversa telefônica apresentada pelos advogados de Sandro.

Ao mesmo tempo, revelou receio em dizer o que pensa ao disparar frases como "sou pobre, né? Tenho filho para criar, né? Tenho família. E se eu morrer?" ou "pobre sempre não sabe de nada. Cai sempre com a pessoa mais pobre, então não sei de nada".

Mesmo demonstrando preocupação por não ter um advogado constituído para defendê-la, a mulher chega a insinuar que, se houve uma ligação telefônica, não foi ela quem a fez. "Não fui, não liguei. Não sei de nada. Agora, se ele (Sandro) ligou ou não ligou, você tem que ver com ele", "quem sabe é ele. Ele é o espertão".

Além de receio, a ex-empregada expôs extrema impaciência com o assédio da imprensa desde o último dia 15, quando o vídeo foi divulgado. Depois de pouco mais de dois minutos e meio de conversa com a reportagem, ela decidiu não responder mais às perguntas e desligou o celular.

Na tarde de anteontem, o JC já havia conseguido falar no número de telefone que pertence à diarista, mas a mulher que atendeu ? e não quis se identificar - desligou assim que foi informada de que se tratava da reportagem. Em uma nova tentativa, a mesma voz feminina disse que a ex-funcionária de Sandro não estava e que não teria nada a declarar, já que desconhecia o teor da conversa gravada pelo ex-patrão.


Perícia

De qualquer maneira, a gravação feita por Sandro ainda deverá ser submetida à perícia para comprovar se a voz é mesmo da diarista, que trabalhou por poucos dias na residência do casal Fernandes. A expectativa é de que o laudo demore alguns meses para ficar pronto.
A ex-empregada deverá ser intimada pelo Judiciário a prestar esclarecimentos e, caso negar sua participação na conversa, a defesa do réu deve pedir a quebra de sigilo telefônico para que seja detectada a propriedade do número que aparece no identificador de chamadas do aparelho celular do advogado bauruense.

Até o momento, a diarista não procurou a polícia para modificar seu depoimento. No final de setembro do ano passado, dias antes de Sandro e Fernanda serem presos, ela afirmou na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) que o réu a teria molestado sexualmente. Mas, como os abusos teriam ocorrido em 2010, a vítima teria perdido o prazo de seis meses para fazer a denúncia e, por este motivo, passou a constar no processo apenas como testemunha protegida.

Conforme consta no inquérito policial, em meados de setembro do ano passado, um investigador de polícia teria presenciado o momento em que a ex-empregada abordou na rua uma das vítimas - uma familiar de Sandro de 19 anos ? para revelar que também havia sido abusada. A diarista teria se prontificado a depor voluntariamente contra o advogado na DDM.


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Juiz da 2ª Vara Criminal ainda
analisa pedido feito pela acusação

O juiz da 2ª Vara Criminal de Bauru, Jaime Ferreira Menino, ainda está analisando o pedido da assistência de acusação do caso Sandro Fernandes. O advogado Evandro Dias Joaquim solicita que o magistrado reconsidere alguns dos benefícios concedidos ao réu e sua esposa, Fernanda Gomes Fernandes, acusada de coautoria dos crimes. O objetivo é que Sandro passe a cumprir prisão domiciliar sem poder sair de casa e que Fernanda volte para a cadeia.

Mas, devido ao fato de o casal ter conversado com uma testemunha protegida durante o cumprimento da prisão preventiva, há chances de ambos perderem o direito de ficar na residência. A previsão é de que a decisão seja tomada ainda hoje. Ontem, segundo apurou a reportagem, o juiz não teria conseguido julgar o caso devido a uma série de audiências que precisou presidir no Fórum de Bauru.


?Tenho família. E se eu morrer??

JC - Gostaria de saber se o que estão falando sobre você é verdade.
Ex-diarista
- Ai, não estou sabendo de nada.

JC - Você não chegou a acompanhar o que aconteceu? Divulgaram um vídeo...
Ex-diarista -
Só vi ontem de manhã e hoje na televisão. Eu não sei de nada. Eu só vou saber no dia da audiência, quando eu for. Mais nada.

JC - Quando você vai prestar depoimento?
Ex-diarista
- Não sei, não tenho advogado. Não sei de nada.

JC - Imagino que você esteja com medo...
Ex-diarista
- Não estou com medo. Simplesmente, eu não quero falar nada. Tem que esperar, porque eu nem sei se vai ter audiência ainda. Vai demorar.

JC - Você chegou a falar com o Sandro?
Ex-diarista
- Não.

JC - Você não falou com ele em nenhum momento depois que ele voltou para casa?
Ex-diarista
- Eu não sei de nada. Eu acabei de falar para você.

JC - Mas você deve saber ao menos se falou com ele ou não.
Ex-diarista
- Quem sabe é ele. Ele é o espertão. Eu não sei de nada. Pobre sempre não sabe de nada. Cai sempre com a pessoa mais pobre, então não sei de nada.

JC - Mas, se você não ligou, precisa se defender.
Ex-diarista
- Não, não, não. Não quero falar nada. Isso não tem nada a ver. E outra coisa: meu nome está aí. Dependendo do que acontecer, quero ver o que vocês vão fazer para tirar meu nome.

JC - Mas ninguém está divulgando seu nome.
Ex-diarista
- Mas vocês ficam ligando no meu celular. A minha amiga atendeu o celular (anteontem) e você insistiu. Eu desliguei o celular e vocês estão ligando de novo. Eu falei que não vou falar.

JC - Mas só queria confirmar se você ligou para o Sandro e chegou a conversar com ele.
Ex-diarista -
Eu não sei de nada. Não fui, não liguei. Não sei de nada. Agora, se ele ligou ou não ligou, você tem que ver com ele. Eu não sei de nada.

JC - E você mantém a versão inicial do seu depoimento à polícia?
Ex-diarista -
Não sei de nada. Simplesmente, só que eu fui depor em agosto (do ano passado, na DDM). Não sei de nada. Quando alguém mandar alguma coisa para mim, vou depor de novo. Por enquanto, não sei de nada.

JC - Você está chateada com toda esta situação?
Ex-diarista
- Ô! Sou pobre, né? Tenho filho para criar, né? Tenho família. E se eu morrer? (desliga o telefone.

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