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SP terá R$ 6,4 milhões contra crack


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São Paulo - O governo federal deu início ontem à liberação de R$ 3,2 milhões para serem aplicados nos próximos seis meses em políticas de combate ao crack na cidade de São Paulo. Somados a mais R$ 3,2 milhões previstos para o segundo semestre, o repasse de recursos ao município totalizará R$ 6,4 milhões em 2012.

A informação sobre a liberação foi divulgada durante visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, às obras do Complexo da rua Prates, construído para abrigar e oferecer assistência médica e social a dependentes químicos na região central da Capital paulista. Ao todo, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack do governo federal prevê o repasse de R$ 500 milhões para o Estado de São Paulo até 2014. Os R$ 6,4 milhões fazem parte desse montante.

Segundo o ministro, os recursos iniciais serão utilizados para a criação de 16 equipes de profissionais médicos e assistentes sociais que vão identificar e encaminhar a unidades especializadas os dependentes que necessitam de tratamento na cidade de São Paulo.

A verba também será destinada à inauguração de dez unidades de atendimento que irão aumentar em 100 a 150 o número de leitos utilizados para a internação de dependentes por longos períodos. A previsão é que essas unidades estejam prontas até o final de março. Além disso, segundo Padilha, está prevista a contratação de mais leitos em clínicas terapêuticas com os recursos liberados pelo governo federal.

"O crack é um problema de todo o País", afirmou o ministro, ao classificar o avanço da droga em território nacional como "epidemia". "É necessário uma integração entre assistência social e de saúde aos dependentes", completou. Já o prefeito Gilberto Kassab destacou a parceria entre os poderes executivos. "Esse é um trabalho que precisa ser feito em conjunto, prefeitura, governo federal e governo estadual", disse.

 

114 presos

A operação policial que acontece na região da cracolândia, no centro de São Paulo, já prendeu 114 pessoas desde o último dia 3. Segundo balanço divulgado ontem, também já foram capturadas 43 pessoas que estavam sendo procuradas pela Justiça.

A operação que começou no último dia 3 provocou a dispersão dos usuários de drogas que costumavam se concentrar na rua Helvétia. Também há registro de 352 pessoas que foram encaminhada para serviços de saúde e 92 que foram internadas.

Também como parte da operação, a prefeitura lacrou 32 estabelecimentos que funcionavam de forma irregular anteontem. Na ocasião, foram identificados também alguns imóveis que estavam com a estrutura comprometida. Com isso, seis deles serão demolidos.

 

Demolição de prédios na cracolândia

São Paulo - Duzentos e cinquenta homens, quatro retroescavadeiras, 50 caminhões (para a retirada de entulhos) trabalharam ontem na demolição de seis imóveis na rua Helvétia, região da cracolândia.

Cleonice Soares da Silva, 38 anos, cabeleireira, usuária de crack há um ano, chorava enquanto assistia à queda das paredes do sobrado em que viveu no último ano. "Dá uma dor danada. Apesar de ruim, era o pedacinho que a gente tinha para morar. Era o nosso cantinho", disse ela.

Ela já está cadastrada na prefeitura para receber um tipo de auxílio-aluguel de R$ 300,00 por mês. Enquanto isso não acontece, está morando na rua mesmo.

Vários moradores da região, usuários como Cleonice, rondavam as casas em demolição. Passavam as mãos na cabeça, gemiam, gesticulavam.

Segundo o secretário de Controle Urbano, Orlando Almeida, os imóveis foram demolidos porque enquadravam-se na categoria condenada pelo Código de Obras da cidade. "Apresentavam risco iminente de desmoronamento, de contaminação por ratos e baratas, de incêndio. Eram estruturas infiltradas, telhados ruídos, fiação elétrica apodrecida, lixo espalhado, total insalubridade."

Os proprietários ainda poderão cobrar na Justiça o ressarcimento por eventuais prejuízos que tenham sido causados pela demolição.

 

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