Em data de 12/12/2011, partindo de Bauru, dirigimo-nos para Brasília, inscritas que já estávamos na III Conferência Nacional De Políticas para as Mulheres. Ao chegarmos a Brasília, às 14h, fomos para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde foi realizado o cadastramento de cada participante e, após, deveríamos nos dirigir para o hotel, já que abertura do evento seria as 19h. Neste momento, deu-se início a uma revoltante humilhação a qual fomos submetidas. Sem almoço, demasiadamente cansadas, oriunda da negligência no sistema de acomodação. Em razão dos fatos acima relatados, teve início um tumulto dentro da plenária, quando a presidente Dilma chamou, publicamente, a atenção da ministra Iriny Lopes, desculpando pela desorganização, chegando a bater na mesa, gesto não digno de uma presidente da República, que deveria ter mais polidez no trato com as mulheres que ali estavam, cansadas, em torno de 3 (três) mil, vindas de todos os Estados do País. Fato este presenciado por todos os presentes que estavam prestando atenção (texto da revista Veja online, onde aborda o ocorrido: "A presidente da República Dilma Rousseff se irritou nesta segunda-feira com a desorganização da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, de responsabilidade da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Delegadas de pelo menos seis estados reclamaram das péssimas condições de hospedagem e da falta de alimentação durante a abertura do evento, em Brasília."
Logo no início do discurso, a presidente Dilma pediu desculpas pelas falhas na organização. "Lamento imensamente, queridas companheiras, que isso tenha acontecido". afirmando que iria garantir a alimentação das delegadas, e pediu em público, ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que tomasse as medidas necessárias ao lado de Iriny. Ao terminar a abertura, continuamos no local e por ali ficamos até 1h, quando fomos chamadas por uma das organizadoras que nos informou haver "arrumado" local para mais 4 pessoas.
Seguimos para o hotel onde hospedaria eu, que abaixo subscrevo, e mais quatro pessoas, sendo um mosteiro bonito, sim, mas sem nenhuma condição de alojar ninguém, pelo menos no local que nos levaram. Em razão de todo este abuso para com a mulheres que viajaram horas para chegar a Brasília, desistimos, retornando ao Centro de Convenção na tentativa de sermos acomodadas em um hotel, conforme o que nos haviam prometido, com o mínimo de condições.
Chegando ao local, ficamos junto com com outras colegas que lá estavam, para fora, com chuva e frio, e o centro fechado com a comissão lá dentro fazendo reunião com ministra da Secretaria de Mulheres.
Achei um absurdo a referida comissão com tantas falhas deixar todas fora do Centro até que se resolvesse a situação, sem banheiro e todas com frio. Transcorrido um pouco de tempo, deixaram-nos entrar para esperar dentro do local. Algumas colegas deitaram no chão e outras acomodaram-se em cadeiras, todas exaustas e preocupadas, pois já passava das 2h da manhã e logo teríamos que iniciar a Conferência, onde iríamos discutir propostas pela qual fomos representar as mulheres do Estado de São Paulo e, principalmente, de Bauru.
Fomos eleitas por votação, sendo escolhidas para esta representação, o que acho muito sério, e este foi um dos motivos para eu não largar tudo e vir embora. Eu estava lá com muito gás para lutar contra a violência de gênero em todas as formas de sua manifestação contra as mulheres e, de repente, me senti péssima naquelas condições.
As horas foram passando até que, depois de muito desgaste e discussão, fomos informadas que tinham arrumado um hotel. Eram 6h da manhã do dia 13/12/2011. Conclusão: passamos a noite abandonadas em um Centro de Convenção por falta de organização.
Fiquei chocada com a situação pela falta de respeito, pelo tratamento recebido. Muita gente foi alojada em uma cidade vizinha, Luisiana, a mais ou menos 70 km de Brasília, tendo que viajar todos os dias para vir e retornar para Centro de Convenção.
Outra falha foi o transporte, pois não tinha horário para nada, todos os dias chegamos atrasadas no evento. No dia de vir embora, comecei a ligar as 4 da manhã, nosso voo era àss 7h20 e só foram nos buscar para levar ao aeroporto depois de muita discussão via telefone, por volta de 6 horas da manhã, e posso garantir que muita gente pagou táxi, um desgaste total.
Eu nunca presenciei tamanha desorganização. Jamais pensei em viver isto, pois temos uma secretaria das mulheres representada por uma ministra que é mulher, presidente Dilma é mulher, que aberração! Nada condizia com emails recebido pela Secretaria, em que diziam que iríamos participar da Conferência na cidade de Brasília, que teríamos hotel e traslado para hotel e centro de convenção e vice-versa. Alegaram que a empresa que iria prestar o serviço desistiu 10 dias antes do evento e ficou complicado resolver a situação. Bem, não demorou para soltar fofocas como que a oposição encabeçada pelo PSDB, que boicoitou o evento, e isto se espalhou como uma bomba pelo evento. Por não acreditar nesta história, estou colocando este texto de repudio, pois como uma secretaria conduzida por uma ministra e Governo Federal não tem uma carta na manga para o caso de acontecer qualquer problema? Por que não adiou a Convenção? Quem sabe não teríamos que passar por tanta humilhações. E esta última empresa que arrumaram? Por que não atendeu as expectativas? Fico pensando que se não deram conta de organizar um evento para 3 mil mulheres, como vai ser a organização para Copa do Mundo, no salve-se quem puder? Acredito que essa Conferência deveria independer de partido, cor, raça, credo etc e tal, pois o que valia mesmo era o nosso objetivo maior, lutar pelos direitos pertinentes às mulheres. Por que jogar culpa nos partidos de oposição d?uma coisa que não conseguiram realizar? O que temos com isto? A presidente é do Brasil, para todos brasileiros ou somente para alguns estados? A única coisa que não deu errado foram o estudo e discussão das propostas, apesar de chegarmos sempre atrasadas. Um descaso total ter que ficar correndo, humilhadas para saber nosso destino dentro de Brasília. Que Deus me livre e me guarde de outra dessa...
Sonia Maria de Freitas Bello