Polícia

Após 1 ano, latrocínio é esclarecido

Aline Rodriguez
| Tempo de leitura: 4 min

Um crime que chocou a comunidade bauruense no dia 3 de janeiro de 2011, na Vila Falcão, foi esclarecido pela Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Pedro Amaral Júnior, na época com 27 anos, foi vítima de um latrocínio - roubo seguido de morte. Ele estava no escritório da oficina mecânica de seu pai quando foi alvejado por dois disparos de arma de fogo. A conclusão do inquérito foi apresentada ontem, após um ano de intensa investigação.

Na época dos fatos, a Polícia Civil trabalhou com duas possibilidades. Apesar da principal ser de latrocínio, a hipótese de homicídio não foi descartada, uma vez que nada havia sido levado do local. Entretanto, familiares e amigos de Pedrinho, como era chamado carinhosamente, relataram na época do crime que a vítima era uma pessoa pacata e que não tinha desavenças. Era atencioso e trabalhava na oficina para ajudar o pai.

Por outro lado, o estabelecimento havia se tornado um ponto de recebimento de contas da CPFL, o que poderia ter atraído a atenção dos assaltantes. Segundo Cledson Luiz do Nascimento, delegado da DIG, durante o curso das investigações vários suspeitos foram presos temporariamente e diversos exames foram solicitados, como os residuográficos.

"Todo o aparato de Inteligência colocado à disposição da Polícia Civil foi utilizado. Nesta última semana, concluindo a investigação, nós conseguimos apurar a autoria do latrocínio imputada ao jovem Marcelo Aparecido Fogaça Júnior, de 19 anos, que teve a ajuda de Erick Calderari da Silva, 21 anos, Bruno Eduardo Rodrigues de Souza, 24 anos, e Rodrigo Mariano Macedo, 24 anos", disse.

 

Sozinho

Ainda segundo o delegado, para realizar o roubo, o grupo utilizou uma moto e um carro e entrou na oficina com o objetivo de levar o dinheiro proveniente do pagamento das contas da CPFL. Pedro estava sozinho no escritório quando foi abordado pelos assaltantes. Assustado com a situação, ele teria reagido ao assalto e foi atingido por pelo menos um disparo, efetuado por Marcelo, que confessou a autoria do crime.

De todos os participantes no latrocínio, apenas Marcelo não tinha passagens pela polícia. Desde abril do ano passado, Bruno, vulgo "Brunete", está preso na Penitenciária de Avanhandava após ser capturado durante a Operação Arsenal, que combatia uma quadrilha especializada em assaltos a carros fortes, empresas e saídas de banco. Ele foi o mentor intelectual da ação e quem forneceu a arma utilizada.

Erick, conhecido como "Budio", por sua vez, cumpre pena por roubo na Penitenciária II de Pirajuí. Ele dirigia a moto utilizada no crime. Já Rodrigo, vulgo "Oreia", ficou preso por 60 dias durante as investigações do assassinato de Pedrinho, mas foi solto e está foragido. Ele é considerado o "segundo cavalo" da ação, que é aquele que fica no interior do veículo para recolher o garupa da moto - no caso, Marcelo - após o roubo.

Marcelo, o único réu primário, foi preso na semana passada e cumpre prisão temporária em Duartina, mas posteriormente será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP).

A pena para o crime de latrocínio varia de 20 a 30 anos, mas as sentenças serão calculadas de acordo com as decisões do Poder Judiciário.

 

Desespero

Por volta das 15h15 do dia 3 de janeiro de 2011, Pedro Amaral Júnior estava sozinho no escritório da oficina mecânica de seu pai quando foi abordado por um assaltante. No local estava outro mecânico, Neimar Rocha dos Anjos, 27 anos, que foi quem ouviu os tiros e socorreu a vítima.

Na época ele relatou à reportagem do JC que Pedrinho o chamou desesperadamente e ele ainda o viu saindo do escritório cambaleando e caindo de joelhos no corredor. Neimar não conseguiu visualizar os suspeitos. Pedro chegou a ser socorrido com vida, mas morreu no Pronto-Socorro Central, sendo a primeira vítima de homicídio de 2011.

De acordo com conhecidos da família, a mãe de Pedro havia falecido há algum tempo. Na tarde do assassinato, somente seu pai estava em Bauru. Pedro Amaral Júnior ainda tinha um irmão, que juntamente com o restante da família, passava férias na praia de Ilha Comprida quando o crime ocorreu.

 

‘Perguntei se ele conseguia dormir à noite’

De acordo com o delegado Cledson Luiz do Nascimento, o grupo que atuou no latrocínio precisava de um quarto elemento para participar do roubo à oficina em que a vítima, Pedro Amaral Júnior, trabalhava.

"Marcelo (Aparecido Fogaça Júnior, o autor do crime) aceitou fazer parte deste crime bárbaro que culminou na morte de Pedrinho. Sem antecedentes criminais, o jovem tinha dois empregos. Era confeiteiro em uma padaria durante o dia e à noite trabalhava em uma empresa especializada em entrega de lanches", enfatiza.

Na época do crime, a DIG investigou Marcelo e realizou um exame residuográfico. Entretanto, ele alegou que havia feito um disparo nos fundos de um posto de combustível. "Durante o curso das investigações, a Polícia Civil derrubou todos os álibis de Marcelo. Já com a investigação completa, nós o convocamos novamente para depor e, de uma forma sutil, perguntei se ele conseguia dormir tranquilamente à noite. Arrependido, ele disse que não, e nos confessou a autoria do disparo. A própria culpa falou mais alto", disse.

E complementa: "Marcelo alegou que estava com o dedo posicionado no gatilho do revólver e efetuou os disparos em decorrência da reação de Pedrinho, que possivelmente se assustou com o assalto e foi atingido pelas costas". (AR)

 

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