Fernando e Humberto Campana estão em cartaz. Em permanente giro pelo mundo, assim como eles, a mais completa retrospectiva dos designers já realizada, a mostra "Anticorpos" - que cobre mais de duas décadas de carreira e encerrou temporada no domingo passado, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo - segue para países da América Latina, Ásia e Estados Unidos.
Para os retardatários, até o fim do mês, há ainda a possibilidade de conferir um recorte consistente da produção da dupla, contextualizada pelo economista Waldick Jatobá, idealizador do Salão Design São Paulo. "Procurei brincar com a sensação de estar num trono e, ao mesmo tempo, de tomar parte de uma gostosa brincadeira que só uma poltrona Campana pode oferecer", comenta ele, a respeito de "A Arte de Sentar com Arte", mostra que inaugura o calendário de exposições da veterana Firma Casa.
Mas, para além do circuito das galerias e museus, existe hoje um segmento da criação dos irmãos que, ao que parece, veio para ficar. Trata-se de seus projetos para lojas, cafés e até mesmo hotéis. Como, por exemplo, o New Hotel, definido como uma livre reinterpretação para o mítico Olympic Palace Hotel - construído em Atenas, em 1958, pelo arquiteto Jason Rizos. Foi inaugurado em julho passado, após ter sido inteiramente repaginado pelos designers.
E a lista não para por aí. Por todo mundo, cresce o número de espaços privados, mas de uso público, que tiveram seus interiores idealizados e, não raro, executados por eles. Locais que têm se convertido em verdadeiros centros de peregrinação para todos os interessados em conviver com o repertório criativo dos designers: uma mistura de arte, escultura e design, com o assumido propósito de aguçar os sentidos de seus frequentadores.
Em funcionamento desde o ano passado, o café do Teatro Municipal de São Paulo é o primeiro projeto de interiores executado pelos designers, em 30 anos de atuação na cidade. "Diante de todo aquele passado, procuramos estabelecer um diálogo possível com a arquitetura do prédio. Já havíamos vivenciado uma experiência semelhante no projeto Barroco Brasileiro, realizado para o Palazzo Pamphili, sede da embaixada brasileira, em Roma", conta Humberto.
Quase uma atração à parte em meio à monumentalidade do prédio recém-reformado, a intervenção tem sido muito elogiada, mesmo entre os frequentadores mais tradicionais do teatro. Todos unânimes em exaltar a delicadeza do trabalho e a sintonia que emana das mesas, luminárias e espelho criados.