Polícia

Vizinhança fica chocada com queda de mulher do 14º andar


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A rotina dos moradores da quadra 14 da rua Agenor Meira, no Centro, foi quebrada ontem pela manhã, quando viaturas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar pararam em frente ao prédio situado na via para atender uma ocorrência de suicídio, posteriormente registrada no plantão da Polícia Civil. Aposentada da Universidade de São Paulo (USP), Nair Postingue, 68 anos, se jogou da sacada de um apartamento do 14º andar, onde visitava uma amiga.


Ela chegou a ser socorrida com vida, mas morreu a caminho do Pronto-Socorro Central em função de politraumatismos. O relógio que a aposentada usava parou às 9h37. Pouco antes desse horário, passou pelo porteiro Luís Barrocali, que a anunciou à moradora. Segundo informações obtidas junto à PM e à Polícia Civil, assim que entrou no imóvel, pediu água.


Quando a dona da casa voltou à sala com o copo, percebeu que ela estava pendurada com as mãos na sacada e o corpo já para o lado de fora. Ainda teve tempo de pedir que não fizesse isso. Nair, no entanto, soltou suas mãos. Caiu de bruços no cimento do estacionamento. O impacto foi ouvido por Barrocali, que pensou tratar-se de uma porta batendo com o vento.


Mas quase imediatamente, a moradora pediu socorro e lhe contou o que havia acontecido. Ele acionou o Corpo de Bombeiros e a PM. Durante e depois do resgate, moradores próximos avistavam a movimentação da sacada ou em frente as casas. No momento da queda, não havia ninguém na garagem.


Depressão


Nair morava sozinha num apartamento situado na quadra 17 da rua Capitão Gomes Duarte, onde uma de suas irmãs também vive. A outra é de Ribeirão Preto e havia permanecido uma semana com ela. Ao deixá-la no Terminal Rodoviário, ligou para a amiga, que teve o nome preservado para evitar constrangimento, e perguntou se poderia visitá-la.


Como a resposta foi afirmativa, pegou o carro (um Sandero azul) e foi até o prédio dela. Ao que se sabe, não deixou cartas ou bilhetes. A bolsa e a casa da aposentada foram vistoriadas pela polícia na presença de familiares. Nair Postingue sofria de depressão e estava em tratamento. Enfrentava o problema há muitos anos, mesmo quando trabalhava na USP.


Estava aposentada da instituição há cerca de dez anos. Na ativa, secretariava o Departamento de Saúde Coletiva, atualmente denominado como Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva. “Era uma boa funcionária, zelosa, gostava muito da USP e do que fazia”, diz o chefe do departamento e professor titular José Roberto de Magalhães Bastos, que trabalhou com ela.

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