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Grife Cavalera promove desfile na região da Cracolândia em SP

Vivian Whiteman e Pedro Diniz
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - “Os fashionistas têm de experimentar sensações diferentes. Moda não é só glamour, gente!”, afirmava Alberto Hiar, dono da Cavalera, logo depois do desfile de sua grife ontem, na Estação da Luz, em São Paulo.


Do lado de fora, os convidados chamavam a atenção dos transeuntes e comentavam a tranquilidade da região, palco recente de enfrentamentos entre a polícia e usuários de crack.


“Queríamos um lugar que passasse a ideia de faroeste urbano”, disse Hiar, fazendo um link entre o tema da coleção, que falava dos contrastes e da realidade de São Paulo, e a desastrada ação da prefeitura na tentativa de acabar com a cracolândia.


Com policiamento reforçado, o evento, que abriu o quarto dia da São Paulo Fashion Week, correu calmamente, para tranquilidade dos convidados.


“Eu não viria aqui em outro dia, quero dizer, sem segurança nenhuma”, afirmou a atleta olímpica Maurren Maggi, que acompanhou o desfile no local. Policiais que patrulhavam a entrada principal do desfile tratavam a presença de usuários de crack na área como “assunto controlado”. Mas, segundo moradores da Luz, a história não é tão simples assim.


“Isso tudo aqui é uma ilusão. Antes não ficávamos com medo de andar na rua porque os drogados ficavam concentrados em certos pontos, sabiam onde encontrar o que queriam”, afirma Maria Ferreira, 59 anos, ambulante e moradora do bairro.


“Agora, os crackeiros ficam vagando irritados e desorientados, estão espalhados por toda parte, abordam as pessoas”, completa.


Para o vendedor de picolés Mário Araújo, 49 anos, que trabalha na região central há 24 anos, eventos como o desfile da Cavalera podem não traduzir a realidade do bairro, mas ajudam a lembrar de como a região que inclui o Parque e a Estação da Luz pode ser um ponto de lazer agradável. “Eventos como esse amenizam o clima do lugar”, comenta.


Caubóis do asfalto e um exército de Amy Winehouses estilo “western” deram a cara da coleção da Cavalera.


A ideia de misturar o preto e o peso do couro e da lã, os cinturões de caubói e uma estamparia com ares quase psicodélicos deu certo visualmente, e ainda fez sentido no atual contexto.



Faroeste paulistano


Viver em São Paulo tem mesmo sua dose de faroeste alucinante: afinal, num intervalo de semanas, um dos pontos mais conhecidos da cidade passou de campo de batalha a passarela de moda.


Os barulhos das bombas e cacetadas foram substituídos pelos sons de aplausos e saltos altos batendo no concreto que serviu de passarela.

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