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Petrobras terá primeira mulher na presidência


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Rio - A Petrobras confirmou ontem a indicação da atual diretora de Gás e Energia da companhia, Maria das Graças Foster, para presidir a estatal. Ela vai substituir o atual presidente, José Sérgio Gabrielli, que está no cargo desde 2005.

O nome de Graça Foster tem de ser aprovado pelo Conselho de Administração, órgão responsável pela eleição do presidente e dos diretores da companhia.

Em nota, a estatal informou que o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o ministro Guido Mantega (Fazenda), "já manifestou que vai encaminhar como proposta a ser apreciada na próxima reunião do mesmo, a se realizar dia 9 de fevereiro próximo, a indicação (de Foster para presidir a Petrobras)".

"Uma vez o assunto em questão seja aprovado pelo Conselho, a companhia dará ampla divulgação do fato", diz a nota.

Desde que assumiu a presidência da República, Dilma Rousseff sempre teve a intenção de nomear sua ex-auxiliar para o posto. Por orientação do ex-presidente Lula, Dilma aceitou manter Gabrielli por um período de transição de cerca um ano.

Foster trabalhou com Dilma no começo do governo Lula, quando ela era ministra de Minas e Energia. Depois, presidiu duas subsidiárias da estatal, a Petroquisa e a BR Distribuidora, antes de assumir a diretoria de Gás e Energia da empresa-mãe. Foster é de estreita confiança da presidente e elas são amigas pessoais.

Após deixar a presidência da Petrobras, Gabrielli poderá assumir uma secretaria estadual na Bahia. O convite foi feito pelo governador Jaques Wagner (PT).

Segundo o governador, Gabrielli e Maria das Graças vão percorrer diversos países da Europa comunicando investidores e clientes da mudança. O objetivo é evitar especulação e acalmar o mercado.

 

"Estilo Dilma"

Rio - A primeira mulher a alcançar a presidência da Petrobras tem um estilo gerencial bem parecido com o da presidente Dilma Rousseff. Exigente e determinada, Maria das Graças Silva Foster costuma ser dura com quem não atende suas demandas.

Com fama de brava, Graça Foster, como é chamada, desperta admiração daqueles que trabalham diretamente com ela por seus conhecimentos técnicos e firmeza nas cobranças que faz e também por sua garra e superação diante das dificuldades vividas na infância.

Nascida em Caratinga, no Interior de Minas Gerais, em 26 de agosto de 1953, mudou-se com apenas 2 anos de idade para o Rio, onde cresceu no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, comunidade pobre que por anos foi ícone de violência da cidade, até ser pacificada em 2010.

Além de uma pequena bandeira do Botafogo, seu time, Graça exibe imagens de outras paixões em sua sala espaçosa do 24.º andar da sede da Petrobras. Sobre a mesa, fotos da neta de 16 anos e do casal de filhos - um estudante de jornalismo e uma médica. Também guarda uma fotografia dela junto ao atual presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Graça Foster gosta de caminhar e ir à missa todos os domingos. Apesar de ser católica, preserva em sua sala algumas imagens de orixás, que segundo alguns conhecidos foram lhes dadas de presente.

Com uma carga de trabalho que ultrapassa diariamente 12 horas - ela chega todos os dias às 7h30 na Petrobras - Graça Foster demonstra paixão pelo trabalho. Costuma exibir com orgulho o livro de capa dura que mostra alguns trechos dos gasodutos construídos sob sua gestão - foram mais de 5 mil quilômetros em cinco anos. "Este aqui é o meu bebê", costuma dizer.

Assessores, funcionários e executivos que trabalham com Graça são unânimes em destacar o que consideram a sua principal marca: o perfeccionismo. Uns relatam que ela às vezes é dura demais com quem não atende a suas exigências.

Graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tem mestrado em Engenharia Química e pós-graduação em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) e MBA em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ).

 

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