Ontem foi o dia em que as sacolinhas de plástico definitivamente saíram de cena dos supermercados. Por grandes redes, como o Confiança, nenhuma delas à vista pelos balcões dos caixas. No lugar, sacolas que se apresentam como ecológicas, feitas de variados materiais, esperavam ser compradas pelos consumidores. Os preços são variáveis: circulam entre R$ 0,19 até R$ 3,98 por unidade.
Ontem à tarde, o que se via no Confiança Flex eram consumidores em fase de adaptação diante a "morte" das sacolinhas. Apesar do corte ter uma justificativa de preservação ambiental, a medida gerou certa reclamação dos consumidores, que vão sentir falta da praticidade e utilidade do material.
A dona de casa Rosineia Vieira, de 55 anos, foi fazer suas compras já prevenida. Levou sua sacola ecológica que comprou "há um certo tempo". "Eu já estava usando esta sacola mesmo antes desta medida entrar em vigor. Já deixo no carro para não ter problema", alega. "Contudo, admito que não será fácil se acostumar com o fim das sacolinhas plásticas, elas eram muito úteis para uso doméstico", salientou.
Há quem saia do supermercado com os produtos na mão ou ainda utilize caixas para guardar os alimentos. O engenheiro Waldir Serafim da Silva, de 55 anos, já se preparou para mudar o hábito e afirma deixar uma sacola no carro. Mas ontem, saiu com alguns produtos na mão. "Eu ia comprar apenas essas frutas, mas acabei levando mais coisas. As sacolinhas, sem dúvida, eram mais práticas", disse.
Os aposentados José Benedito de Oliveira, de 66 anos, e Neusa de Oliveira, de 60 anos, usaram caixas para armazenar os produtos da compra. "Vai ser difícil mudar o hábito, estávamos acostumados com a sacolinha de plástico, ela vai fazer falta principalmente em casa", alegou Neusa.
A decisão da retirada das sacolinhas, conforme já divulgado pelo JC, partiu da Associação Paulista de Supermercados (Apas) com apoio do governo estadual e, por aqui, da prefeitura. De acordo com o diretor regional da Apas, Erlon Carlos Godoy Ortega, o número estimado de pessoas que já aderiram à campanha na cidade atinge 30%.
A funcionária de um supermercado, Magda Galembeck, relatou não ter tido problema com os clientes que passaram pelo seu caixa. "A maioria deles já veio com sacola de casa ou comprou aqui as outras. Não constatei nenhuma reclamação", informou.
Cestas e até carrinhos
A retirada das sacolinhas plásticas, apontadas como "vilãs" do meio ambiente, abriu espaço para que outros meios de armazenamento das compras entrassem em cena. Criativos, alguns estabelecimentos oferecem, além das sacolas ecológicas, novas opções para o consumidor levar suas compras.
Há possibilidades de comprar cestas de tamanho médio por aproximadamente R$ 15,00 ou então carrinhos, inclusive feitos com tecido, por uma faixa de R$ 47,00. Entre as opções de sacola, há a sacola retornável de algodão, com capacidade de 10 quilos, por R$ 3,98. A sacola de rafia ou "eco bag", também com capacidade de 10 quilos, custa de R$ 1,99 a R$ 2,99 a unidade. Há ainda a sacola descartável biodegradável, de amido de milho, com capacidade de 6 quilos sendo vendida por R$ 0,19.
Mas, atenção: já tem consumidor ameaçando ir à Justiça para tudo voltar a ser como antes. A "lei das sacolinhas", na verdade, é um acordo. Os supermercados, contudo, nunca forma obrigados legalmente a fornecê-las gratuitamente ? nem as novas, nem as antigas. O fim das sacolinhas mais poluentes vale para todo o Estado.