São Paulo - No dia de seu aniversário de 458 anos, a cidade de São Paulo teve confronto entre cerca de 800 manifestantes e policiais, ovos jogados no prefeito, festas e shows.
Pela manhã, após a missa de celebração do aniversário, Praça da Sé, no centro da cidade, manifestantes ligados a partidos de esquerda, sindicatos e outras entidades entraram em confronto com a Polícia Militar ao tentar agredir o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). Pelo menos dez pessoas ficaram machucadas - cinco policiais e cinco manifestantes. Ninguém foi preso.
O tumulto começou por volta das 11h30, logo após o fim da missa de aniversário de 458 anos da cidade. Cerca de 600 pessoas aguardavam o prefeito, com bandeiras e faixas de protesto, na frente da escadaria da Sé. Entre eles estavam integrantes de movimentos sociais, de partidos como PSOL e PSTU e moradores de bairros afetados por grandes obras e ações da Prefeitura - como Jabaquara, Butantã e Santa Ifigênia.
Ao perceberem que Kassab tentava deixar a catedral pela saída dos fundos, muitos deles deram as mãos e cercaram a catedral. Vários gritavam "assassino" e "fascista" para o prefeito. Seguranças tiveram de cercar Kassab para que ele pudesse entrar no carro, logo atingido por uma chuva de ovos. O veículo também foi alvo de socos e pontapés. Um rapaz quebrou o cano de PVC usado como mastro de bandeira no capô do carro oficial. Um segurança de Kassab levou um chute e caiu.
Foi quando a Polícia Militar - que, com a confusão, aumentou seu efetivo de 50 para 70 homens no local - começou a usar bombas de efeito moral e gás de pimenta para dispersar o protesto.
Os manifestantes reclamavam principalmente das ações policiais na cracolândia, na Favela do Moinho e na reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também era esperado na missa, mas não compareceu e foi representado pelo vice-governador, Guilherme Afif Domingos (PSD). Mas não escapou de ser xingado pelos manifestantes, assim como a própria PM. Procurados, nenhum dos dois se manifestou até as 20h30 de ontem.
Já o comandante de Policiamento de Área Centro, coronel Pedro Borges de Oliveira, disse que nenhum ferido procurou a PM para ser levado ao hospital. "Em razão da nossa presença, aconteceu um dano mínimo. A operação teve êxito para esse momento de crise que aconteceu lá."