Caros leitores, para melhor compreensão do artigo, foram elencados os últimos acontecimentos na terra do Tio Sam, algo que, indubitavelmente, caminha para uma ditadura informacional americana. Em contrapartida, segue no artigo um breve histórico da internet, bem como os benefícios da globalização acerca do assunto. O mundo acompanha com certa apreensão o desenrolar do que podemos dizer cyber-guerra. Recentemente foram para aprovação no Congresso americano as propostas de leis de combate à pirataria e violação de direitos autorais - SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (Protect IP Act) - autorizando o governo americano a fechar sites, inclusive no exterior, sem a necessidade de levar à Justiça.
O projeto enfrenta a oposição de associações que defendem a livre expressão, bem como as seguintes empresas de internet: Wikipédia, Google, Facebook, Twitter, Ebay, Yahoo e Mozilla. Todos os conteúdos inseridos por usuários das referidas empresas, possivelmente, serão analisados em caráter de pirataria, sendo o conteúdo de total responsabilidade das empresas, e estas, por sua vez, estarão passíveis de punição (fechamento do site). Tal qual Hugo Chávez, que estatizou a TV venezuelana, e a Coréia do Norte, que barra informações oriundas dos mais diversos locais do mundo, os EUA caminham (por outro trajeto, é verdade) a passos largos para a ditadura informacional, não só em território americano, mas mundial. Tal fato deve ser atentamente acompanhado para que a sociedade mundial não sofra nas mãos daqueles que ainda insistem em moldar o mundo de acordo com seus desígnios e seus interesses. A Internet tem origem no próprio EUA onde, durante a guerra fria, os americanos buscavam reaver a liderança tecnológica perdida para os soviéticos com o lançamento do Sputnik. Os americanos buscavam obter informações em qualquer lugar do mundo sem deixar rastro algum e garantir a integridade da informação, caso suas conexões sofressem ataques inimigos. Vejam, para explicar esse paradoxo (EUA criaram a internet e agora querem acabar com suas ramificações), faço uso de um ditado popular de fácil compreensão: "O feitiço virou contra o feiticeiro", ou seja, não é interessante para os EUA manterem essa propagação de informações, haja vista os últimos acontecimentos (Wikileaks) que colocaram em "xeque" a política de democratização e pacificação dos americanos ao redor do mundo. Percebemos com o passar do tempo o quão benéfico é a globalização e o quanto vários países avançaram consideravelmente desde que a Internet adentrou por seu território. A globalização não se limita apenas a trocas de informações instantâneas, mas sim ao relacionamento de pessoas, mobilização de dinheiro e acima de tudo troca de conhecimento. Sabemos também que o conhecimento e a intertextualidade não derivam do nada, porque do nada, nada provém. Os conhecimentos, as informações, as ideias sofrem, por onde passam, constantes alterações que visam o enriquecimento e agregação de valores.
Analisamos, neste imblógrio americano, que empresas como Disney, EMI, Sony Music Entertainment, Time Warner e Universal Music acusam as demais empresas de Internet de violações dos direitos autorais, no entanto, se não fosse a propagação das empresas supostamente "usurpadoras" dos direitos autorais, as empresas favoráveis às leis SOPA e PIPA, citadas anteriormente, não teriam nenhuma projeção significativa em âmbito mundial. Sem mais delongas, a questão não é tão simples e requer muita atenção! A comunidade mundial tem que se mobilizar contrária à aceitação dessas leis, o Congresso já adiou a votação prevista para o dia 24 desse mês, em virtude dos protestos e manifestações que surgiram ao longo dessa semana. Estamos no caminho certo! Diga não às leis SOPA e PIPA!
O autor, Rafael Aguiar, é aluno de Relações Internacionais do Iesb Preve