Tribuna do Leitor

Dependência química


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É com coração cheio de esperança que iniciamos o ano de 2012. Sabemos que não devemos alimentar expectativas em relação aos outros, mas jamais devemos perder a esperança de que neste ano resolveremos a questão do dependente químico de nossa cidade. Como podemos ficar em casa sossegados sabendo que não existe um atendimento público, gratuito e de qualidade para os filhos de nossa cidade? O Caps-AD não consegue atender a essa demanda especifica, o Caps infantil não está preparado para o atendimento do adolescente dependente e não existe outra alternativa. Na cidade não existe serviço de internação em comunidade terapêutica para mulheres e nem para adolescentes. O que fazer? Com quem falar? Onde buscar? Quem ajuda esses filhos?

São meus, são seus. Estão debaixo do viaduto, dormindo nas praças, pedindo nos semáforos. Não queremos uma solução como a de São Paulo, que espalhou a cracolândia e onde só tinha uma agora tem várias. Espalharam-se pela metrópole, mandaram para interior quem era do interior. E agora o que fazer? No Jornal da Cidade informaram da instalação de uma casa de passagem que junta num lugar adultos, adolescentes, masculino, feminino, todos dependentes químicos em situação de rua. Está parecendo coisa de ano eleitoral. Não existe mágica para solucionar um problema tão complicado. É preciso apoio do poder publico, de entidades, dos conselhos. Vamos, gente. Vamos fazer de verdade. Vamos fazer para funcionar. Vamos investir para dar certo. A sociedade civil precisa fazer a sua parte. Insanidade é fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes. De certa forma isso já foi feito com a população de rua e não deu certo. Por que daria com dependente químico? Precisamos de uma resposta. Aproveitemos à experiência de outros projetos. É hora de extirpar de uma vez por todas de nossa cidade uma realidade que nos enche de vergonha e amargura. Crescemos com as dificuldades e com os baques da vida, mas podemos crescer também aprendendo com a experiência alheia ou nos deixando tocar à alma pelo sentimento que nos move em busca de uma ação. Parodiando Leonardo Boff: "Quem não recria a cada instante a sua vida, não refaz a cada momento a sua espiritualidade".

Quem não se deixa absorver pela realidade e não a recria com os meios que ela lhe oferece para ser realmente livre, de que espiritualidade estamos falando? Nós, da Pastoral da Sobriedade, estamos fazendo a nossa parte apoiando, compartilhando em grupos de mútua ajuda. Participe. Faça a sua parte. Este problema também é seu. Ou você acha que sua família está totalmente protegida? O grupo do qual participo é na Igreja São Cristovão, às quartas- feiras, às 20 horas.

Cassia Bornio

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