Tribuna do Leitor

Sobre o medo


| Tempo de leitura: 1 min

Um dia desses estava caminhando, fazendo exercícios físicos, e ao atravessar uma rua me deparei com uma senhora carregando várias sacolas de supermercado. Na hora bateu aquela vontade de me oferecer para carregar as sacolas até onde fosse possível, mas como de costume, continuei caminhando e outra cena qualquer tirou o foco daquele pensamento.
Hoje, entretanto, voltei a pensar nisso, por que não oferecemos ajuda às pessoas que estão na rua, àquelas pessoas desconhecidas, idosos ou não, mulheres ou homens? Refleti sobre o medo que nos ronda cotidianamente, um estado de medo alimentado pelos telejornais todos os dias. Jean Delumeau dedicou um livro a esse respeito, "A História do medo no Ocidente ? 1300 - 1800". Havia, segundo Delumeau, o medo da peste negra, de guerras, da fome e, sobretudo, medo da morte. Hoje, a maioria das doenças possui cura, as guerras, pelo menos para os brasileiros, são uma realidade bem distante e a morte é igual para todos. Séculos depois, permanecemos sob o domínio do medo ainda, mas desconhecemos a causa desse medo.

Fico lembrando quantas vezes deixei de prestar auxilio a alguém na rua, mas algumas vezes a razão de não ter feito nada foi por pensar que a outra pessoa ficaria com medo, imaginando "será que esse rapaz que me ajudar ou vai roubar minhas coisa?". Será que esse medo tem alguma relação com a morte, não apenas uma morte física, mas uma morte de conceitos que estão a milênios presente em nosso inconsciente coletivo? De onde será quem vem tanto temor? Espero que esse medo não seja maior do que o desejo de compreendê-lo. Existem muitos idosos precisando atravessar a rua e precisando de uma mão amiga para carregar as compras até em casa.

Guilherme Cortez Ervilha, professor de História

Comentários

Comentários