São Paulo - O diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Elias Fernandes, pediu demissão ontem após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontar irregularidades em sua gestão.
A decisão foi tomada após conversa entre Fernandes e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), seu padrinho político.
Segundo a reportagem apurou, a saída foi pedida pelo Planalto e acontece após Alves desafiar o Planalto a demitir o apadrinhado da legenda que comanda órgão federal de combate à seca.
Ontem cedo, Fernando Bezerra (Integração Nacional) e a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) conversaram com o vice-presidente Michel Temer e avaliaram que a situação de Fernandes estava insustentável.
Temer conversou com Alves, que encaminhou a demissão junto com Fernandes. Ficou acertado que o líder do PMDB indicará o substituto no Dnocs.
O diretor-geral passa por uma crise no órgão após relatório da CGU apontar desvio de R$ 192 milhões em obras tocadas pela autarquia.
O Dnocs é vinculado à pasta da Integração Nacional, comandada pelo ministro Fernando Bezerra, do PSB, que enfrenta suspeitas de favorecimento político na distribuição de verbas do ministério.
Aliado
O PMDB é o principal aliado do PT na coalizão de Dilma Rousseff e foi um dos fiadores do governo em votações polêmicas de 2011, como a do Código Florestal.
Apesar da aliança, nos bastidores peemedebistas manifestam insatisfação. O partido avalia que não irá ganhar espaço na reforma ministerial e que o governo tenta enfraquecer Alves na disputa pelo comando da Câmara.
Apesar do acordo para a candidatura do peemedebista, setores do PT trabalham para que isso não aconteça.
A demissão de Fernandes já havia sido pedida à Casa Civil pelo ministro Fernando Bezerra em dezembro.
O vice-presidente Michel Temer (PMDB), porém, interferiu no dia 19 ao convocar o ministro para uma conversa em seu gabinete.
A reportagem apurou que Bezerra foi lembrado nesse encontro que foi defendido pelo PMDB ao enfrentar suspeitas de irregularidades.
Nessa conversa, o ministro foi convencido em rever sua posição e encaminhar para o Tribunal de Contas da União (TCU) o relatório da CGU, inclusive avalizando a defesa do Dnocs.
As declarações do ministro de que a faxina no Dnocs será feita, porém, surpreenderam o PMDB.