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Especialistas querem reforma profunda

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Para muitos estudiosos e amantes da Língua Portuguesa, o Novo Acordo Ortográfico é praticamente uma imposição. Para outros, deveria ser mais profundo em suas mudanças. Assinado em Lisboa em 1990, em vigor desde 2009 e usado obrigatoriamente a partir do primeiro dia de 2013, o acordo envolve os países de Língua Portuguesa: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, além do convidado Timor Leste.

Segundo José Perea Martins, presidente da Organização Não-Governamental (ONG) "Alfabeto Sem Amarras" e membro da Academia Bauruense de Letras, o Novo Acordo é uma tentativa de ao menos amenizar a diferença marcante entre o português europeu e o brasileiro: "Temos cerca de 450 mil palavras em nosso dicionário e o maior de Portugal tem aproximadamente 115 mil. Isso porque usufruímos dos termos trazidos por escravos, índios, imigrantes, além do Latim. Fomos agregando e nos enriquecendo com tais termos. E Portugal não é tão ?aberto? como o Brasil".

Perea acredita que a reforma devia ser mais profunda e que não justificou todo o barulho feito e dinheiro gasto com novos livros e cartilhas. "De qualquer maneira, em uma escada grande e árdua para subir, atingimos dois ou três degraus, mas ainda falta uns 20 ou 30 deles para o ideal".


Grafia

Assim como muitos estudiosos, o presidente da ONG acredita que uma possível nova reforma deva ser bem mais profunda. Uma das mudanças mais necessárias seria a grafia das palavras de acordo com a pronúncia. "A palavra "texto", por exemplo, é escrita com "x" e pronunciada com "s". "Exalado" é grafado com "x" e tem "z" como pronuncia", aponta.

Segundo Perra, cada pronuncia devia corresponder a uma letra e cada letra a uma pronuncia. "Assim, a criança aprenderia uma vez e não erraria nunca mais. Da forma como é hoje, as pessoas estudam anos e anos e ainda ficam com dúvidas na hora de escrever. Acho que uma reforma deve ser feita para facilitar a vida das pessoas. Se o mundo progride, porque as regras do idioma não podem?"

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