
Elas já estão nas lousas das salas de aula, em livros didáticos, revistas, jornais e até nos frascos de remédio. Em vigor desde janeiro de 2009 e a pouco menos de um ano da obrigatoriedade (1º de janeiro de 2013), as regras do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda confundem e deixam dúvidas nos bauruenses. Micro-ondas ou microondas? Usar ou não o hífen é a questão que mais confunde.
“Já passei por apuros na hora do vestibular, mesmo estudando muito bem as regras. Eu acho fácil as novas regras de acentuação, mas surgem dúvidas na hora de colocar ou não o hífen, porque a grafia antiga sempre fica na cabeça. Acho que as regras que aprendi ficaram no automático”, comenta a estudante Mayara Romero Canal.
Mayara, passou por uma bateria de vestibulares para medicina, todos já com o Novo Acordo Ortográfico inserido, e como ainda fará muitas outras provas, a estudante desenvolveu uma técnica na hora da redação: “Eu escrevo sem me preocupar com a nova ortografia e, depois, volto lendo e corrigindo possíveis deslizes. Assim acho mais fácil”, deixa a dica.
Vale lembrar que antes de 1º de janeiro de 2013, vestibulares e concursos públicos ainda consideram a grafia usada antes da implantação do novo acordo. Contudo, apesar da não obrigatoriedade, os colégios vêm preparando os alunos gradativamente.
Elizângela Jacobini Lopes é professora do Ensino Fundamental I, ou seja, leciona para crianças de 8 e 9 anos de idade. Ela afirma que trabalha a questão com os pequenos desde o seu surgimento e que, por estar sendo ensinada aos poucos, a mudança não tem apresentado grandes obstáculos aos alunos. “Antes de tudo é preciso explicar o porquê das regras. E para fixá-las, nada melhor do que a prática de exercícios”.
No infográfico desta matéria você encontra exercícios para testar sua habilidade com as novas regras de ortografia. Além disso, o professor Darvino Concer está preparando uma série para a coluna “Diálogo do Português”, do caderno JC Cultura de domingo, com textos com as principais palavras que sofreram alterações com o Novo Acordo Ortográfico, além de explicar as mudanças.
Iguais separados e diferentes juntos
Em matéria de Nova Ortografia, é unânime que o emprego do hífen é a mudança que mais gera dúvidas. Segundo a professora de gramática e redação Leila Morales, as mudanças não chegam a 1% das palavras mas, com a junção, muitas dessas palavras se modificam e causam estranheza. Por isso, a importância de introduzir a novidade paulatinamente nas escolas. “As palavras mais comuns no cotidiano e aquelas estampadas nas páginas de jornais e revistas, como ideia, por exemplo, já não soam tão estranhas”.
Segundo a professora, a primeira coisa a saber é que o hífen não desapareceu e foi modificado apenas em palavras formadas por prefixos, ou seja, elementos que não têm significado sozinhos, como pré, ante, macro, semi... “Guarda-roupa continua com hífen porque sozinhas as palavras têm significado próprio, são verbo (guardar) e substantivo. Agora, autorretrato, sofre junção e tem o “r” dobrado. O mesmo acontece com o “s” da minissaia”, exemplifica.
Uma dica da professora para fixar a regra é separar os iguais e unir os diferentes, ou seja, quando o prefixo termina com a mesma letra que começa a palavra da frente, coloca-se o hífen, como acontece com micro-ondas e super-resistente.
Em exemplos como autorretrato, que se unem, o prefixo terminar com elemento distinto do primeiro da palavra da frente, por isso a junção.
Armadilhas e acentuação
De acordo com a professora Leila Morales, as principais armadilhas estão nos prefixos mais usados, como auto, e quando o segundo elemento começa com “r”, “s” e “h”. “Antes de “h”, a gente sempre usa hífen. Exemplo é sobre-humano”, aponta.
Quando o prefixo termina em vogal e está diante de “s” e “r”, estes são dobrados e há junção, como nos exemplos antirracismo e antissocial. Malsucedido é junto e sem o “s” dobrado para não unir três consoantes. Mal-estar é separado por causa da fonética, para não se ler “malestar”.
Já no caso da acentuação, as mudanças são mais simples, acredita a professora. Apenas as paroxítonas (palavras com a penúltima sílaba tônica) sofreram alterações: Ideia, plebeia, prosopopeia, etc. Vogais dobradas não têm mais acento: voo, enjoo, creem, veem... Já o trema não existe mais, a não ser em nomes próprios de origem estrangeira. Palavras como feiura e Bocaiuva perderam o acento em uma regra do hiato.