São Paulo - É madrugada. Mais de 50 pessoas vestidas em farrapos fecham a via, na região central de São Paulo. De tempos em tempos, um carro tenta passar, desiste e volta. No chão, luzes piscam em mãos que seguram cachimbos.
A cena, que poderia ser uma descrição da rua Helvétia há um mês atrás -r egião conhecida como cracolândia -, pode ser vista todas as madrugadas na rua dos Gusmões com a Guaianases, a quase 900 metros do antigo centro do crack, hoje vazio.
O grande número de craqueiros na rua dos Gusmões não é novidade nem surgiu após a operação na rua Helvétia. Mas moradores dizem que a multidão aumentou após o início da operação, há quase um mês.
“A gente não dorme, eles batem nas portas e ameaçam moradores. Temos crianças aqui e você é obrigado a fumar a droga deles por tabela”, diz a moradora Carla Sá, que mora há 24 anos ali.
A chegada de um carro da polícia é seguida pelos gritos de “a loira tá na reta!”. É o aviso para a dispersão dos usuários para ruas próximas: Aurora, Vitória, General Osório e do Boticário. Minutos depois, voltam para a Gusmões.
“A operação policial é a mesma da rua Helvétia. Mas lá houve uma participação mais incisiva da prefeitura”, disse um policial militar que faz rondas na região e não quis se identificar.
Quando o dia amanhece, montes de lixo e fezes ficam espalhados pela rua.
“Manda a secretária vir aqui e ficar meia hora. Quero ver ela dizer que a cracolândia acabou”, diz a moradora Deusilene de Menezes, 38 anos, sobre a frase da secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda, que disse que a cracolândia acabou.