Porto Alegre - Movimentos sociais e ONGs fizeram um manifesto conjunto no encerramento do Fórum Social Temático (FST) 2012, em Porto Alegre. O evento, realizado em mais três cidades da região metropolitana, terminou ontem.
Ontem a “Assembleia dos Movimentos Sociais” reuniu 1.500 pessoas, segundo os organizadores, para a elaboração do documento. Participaram diferentes entidades, como MST, CUT e ONGs ambientalistas.
O principal foco da carta é a questão ambiental. Uma das motivações do Fórum Social era discutir as perspectivas para a conferência de meio ambiente Rio+20, que ocorrerá em junho.
No documento, os organizadores fazem críticas à “economia verde”, expressão usada por eles para se referir à preocupação ambiental pautada por razões mercadológicas e que não ameniza a pressão sobre recursos naturais. Outros temas citados são racismo, comunicação e reforma agrária.
Na avaliação é de Celso Woyciechowski, o Fórum que, ao longo da última semana, reuniu 40 mil pessoas em Porto Alegre, conseguiu cumprir o objetivo de ser uma etapa preparatória para a Cúpula do Povos, a reunião que os movimentos sociais querem organizar em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho,no Rio de Janeiro.
Woyciechowski, membro do Comitê Organizador do Fórum Social Temático (FST), que conversou com a Agência Brasil e fez um balanço dos resultados de uma semana de debates. Woyciechowski disse que as articulações feitas em Porto Alegre servirão de base para uma plataforma de propostas que os movimentos sociais vão apresentar como alternativas ao que será negociado oficialmente pelos governos na conferência do Rio. A base é a crítica à chamada economia verde que, segundo as organizações não governamentais (ONGs), pode acabar apenas repetindo o modelo capitalista sob um rótulo de correção ecológica.
Na quinta-feira passada, os movimentos sociais se reuniram em Porto Alegre com a presidente Dilma Rousseff, e o tema foi debatido.
“Estamos pautando a agenda do próprio governo, que ainda não tinha visto a importância da Rio no contexto da crise econômica”, afirma Cruz.
Os participantes de movimentos sociais vão voltar a se reunir em uma conferência paralela à Rio+20 em junho, a “Cúpula dos Povos”.
O Fórum Social Mundial tem edições centralizadas nos anos ímpares. A cada dois anos, é realizado em versões espalhadas pelo mundo.
A organização já planeja uma nova edição em Porto Alegre para 2014. Foi na cidade que o encontro teve sua primeira edição, em 2001.