Fernando Haddad deixou o Ministério da Educação. Em seu lugar assumiu Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). A mudança ? aparentemente ? se fundamenta em torno de interesses políticos tanto de um quanto do outro. Haddad vai se dedicar à campanha à Prefeitura de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Mercadante tem como plano concorrer ao governo do Estado de São Paulo em 2014. Em meio às expectativas e especulações a respeito da troca de nomes, pulsa uma questão inevitável: o que efetivamente muda e o que permanece igual na pasta?
É preciso dar tempo ao tempo e aguardar a gestão Mercadante. De todo modo, sabe-se que ? a pedido da presidente Dilma Rousseff ? o novo ministro deve focar em dois assuntos principais, um deles diz respeito à solução dos problemas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), e, o outro, colocar em funcionamento o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Entre o Enem e o Pronatec, o assunto mais imediato à reflexão é o primeiro. O segundo, criado recentemente (outubro de 2011) ? deve-se ressaltar ? ainda precisa ser colocado em funcionamento.
Recordemos algumas dos principais problemas constatados durante o Exame nos últimos três anos. A edição de 2009 teve, como problema central, o vazamento de provas. Na ocasião, um homem ofereceu cópias da prova a um jornal de grande circulação nacional em troca de certa quantidade em dinheiro. A direção do jornal remeteu o material ao MEC, que ao analisar o conteúdo constatou o vazamento. Diante do fato, o ministro Haddad teve de cancelar a aplicação da prova e remarcar outras datas. A edição de 2010 foi marcada pela notícia da distribuição de 21 mil testes com defeito de ordenação. A gráfica responsável pela impressão dos instrumentos de avaliação admitiu a responsabilidade pelo problema e defendeu-se, afirmando que o ocorrido, dado o volume de impressos, estava dentro da normalidade técnica. Conforme consta, a maioria dos participantes do processo teria percebido e recebido um caderno substituto, porém, pelo menos 2 mil provas teriam sido preenchidas com erro.
Na edição de 2011, mais recente em nossas memórias, o problema girou em torno do vazamento de questões na fase pré-teste. Conforme se constatou, alunos de uma escola de Fortaleza (CE) tiveram acesso às questões da prova antes do exame. Dessa vez, o problema parece ter sido menor. Pelo menos, até aqui, não se observou um desdobramentos tão desastroso quanto a Edição de 2009, que, como vimos, também teve histórias de vazamentos.
Mas, os problemas relacionados ao Enem, que o novo ministro precisa encontrar soluções, não se constituem na questão mais fundamental. A educação no Brasil tem problemas mais profundos, complexos e, ? talvez ? mais difíceis de resolver. Sem dúvidas, Aloisio Mercadante terá muito trabalho pela frente. Mas, certamente, se o fizer bem feito, lhe será gratificante. Afinal, um bom trabalho num ministério tão fundamental quanto o da Educação, o ajudará a ser notado pelo eleitorado paulista. Se o projeto de Mercadante é o governo do Estado de São Paulo em 2014, o Ministério da Educação é um dos melhores lugares para trabalhar em prol desse objetivo.
O autor, Gerson Vasconcelos Luz, é professor de Filosofia