Brasília - A dívida pública brasileira encerrou o ano passado com a menor parcela da história de títulos remunerados pela taxa básica de juros, a Selic.
A fatia desses papéis caiu pelo segundo ano consecutivo, fechando 2011 em 30,1%, contra 31,6% no ano anterior.
A queda indica uma melhora no perfil da dívida, já que, na outra ponta, aumentaram as participações de títulos prefixados (que passaram de 36,6% em 2010 para 37,2% no ano passado) e atrelados a índices de preços (de 26,6% para 28,3%).
Isso ajuda a governo por dois lados.
Primeiro, por dar mais previsibilidade em relação ao que será pago em juros da dívida, já que o investidor receberá um percentual determinado previamente ou calculado pela variação da inflação, cuja meta é divulgada todos os anos.
Além disso, dará maior margem de manobra para as ações do Banco Central (BC), que poderá também aumentar o valor da Selic sem que isso se reflita em um aumento da dívida pública.
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse à Folha que a meta é baixar ainda mais o patamar dos papéis atrelados à Selic.
Para reduzir a participação desses papéis, o governo federal vem segurando a emissões desse tipo de título e ainda adotando medidas para impedir que fundos públicos comprem títulos atrelados à taxa.
Para o economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências, é necessário o governo manter os gastos sob controle para dar espaço ao Banco Central para cortar juros, o que fará com que a demanda por esses papéis caia.
Expectativas
Se as expectativas começarem a ficar mais fortes com relação a uma alta da Selic, essa queda (na fatia dos títulos na dívida) pode ser temporária, explica.
Também segundo dados divulgados ontem (veja mais informações infográfico abaixo desta página), no ano passado a dívida pública cresceu 10,17%, chegando a R$ 1,866 trilhões.
O aumento foi de R$ 172,4 bilhões em 2011. No ano anterior, o crescimento havia sido de 13,15%.