Eu quero começar este texto parabenizando Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde, a direção do renomado Instituto Lauro de Souza Lima, pelo esquecimento do dia em que foi celebrado o Dia Mundial do Doente da Lepra no Mundo. Um acontecimento que nos interpela para pensar um pouco mais nos doentes que carregam para o resto da vida o sofrimento da antiga doença chamdaa Lepra e a vergonha da rejeição que ainda acontece por muitos.
Em Bauru, foi fundada em 13 de abril de 1933 o antigo Asilo-Colonia Aimorés, a última colonia de isolamento do Estado de São Paulo. Na verdade, a história iniciou-se em 27 de setembro de 1927. Os tempos passaram e o local mudou de nome por cinco vezes, de Asilo Colonia a Sanatório Aimorés, Hospital Aimorés de Bauru, Hospital Lauro de Souza Lima e, por último, o renomado Instituto Lauro de Souza Lima, moderno, bonito, que aos poucos vai esquecendo as suas origens históricas, com a modernidade chegando em determinados locais, outros abandonados, como é o caso do cemitério, irreconhecível. A sociedade bauruense pouco sabe da história deste local. Por que digo tudo isso como voluntário do Morhan Nacional em Bauru? No dia 29, último domingo do mês de janeiro, foi comemorado em 127 países do mundo a data que foi celebrado como o Dia Mundial de Combate e Eliminação da Hansenníase, que lhes foi dedicado aos portadores da doença que vem desde os tempos bíblicos afetando a nossa comunidade, sempre as mais carentes.
Com tristeza por ter visto e acompanhado a história do instituto durante 44 anos, quando fui conhecer pela primeira vez este local afastado da sociedade, ao compeltar 36 anos como funcionário e servidor, não vi nenhum evento organizado pelo instituto, e na cidade para divulgar, informar e esclarecer as pessoas sobre os riscos que a moléstia ainda causa, já que nosso Brasil é o segundo país do mundo em casos. Perdemos apenas para o pobre país indiano.
Por ter visto com meus olhos e ter conhecido milhares de internos durante esses anos de conhecimentos e trabalho no atual instituto, eu, que estou relatando este fato, recebi vários e-mails, ligações, da região, de ex-internos questionando sobre algum evento em Bauru, já que o Morhan nasceu aqui na década de 1970, mas pela direção, e como não tenho autorização para falar e dar informações, prefiro me calar e acompanhar essa trajetória apenas com os meus sentimento de quem é apaixonado por uma história que a própria história desconhece.
Celebram-se em outras cidades da nossa região e vários Estados e no Mundo o dia dedicado aos portadores da hanseníase. Dando exemplos, reis e chefes de Estados vão, todos os anos, estender as mão aos que os povos tinham outrora como amaldiçoados.
A obra está completa? Com certeza não, a nossa luta com o Morhan continuará enquanto houver um só doente que precise da nossa ajuda, com dedicação e amor, apesar de não sermos reconhecidos.
Voluntários do Morhan em Bauru: Jaime Prado, Elias de Souza Freitas, Idelbrando Gonçalves, Alice Andrade