Não é preciso viajar muito ao passado para lembrar quando itens como câmeras, cercas eletrificadas e alarmes eram encontrados somente em mansões. Hoje, seja pelo clima de insegurança que vai na contramão das estatísticas de diminuição criminal registradas na cidade (leia mais abaixo) ou pelo maior poder aquisitivo da população, os sistemas de segurança se tornaram quase que comuns. Para quem é do ramo, esse aquecimento do setor tem um responsável: a classe média.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o mercado de Sistemas Eletrônicos de Segurança (SES) cresce, em média, 13% anualmente. A taxa foi divulgada durante Congresso Internacional de Segurança realizado no final do ano passado e promovido pela própria associação, na qual se chegou ao consenso de que a classe média é a principal consumidora e propulsora dessa "fatia".
E Bauru não foge dessa realidade. Segundo empresários do ramo, mais da metade da procura por sistemas de monitoramento parte exatamente da classe média. "Hoje, pessoas da classe média representam 55% da minha clientela", confirma Rodrigo Cristiano Paes Lopes, proprietário de uma empresa de segurança eletrônica na cidade.
De acordo com ele, que está há 21 anos no ramo, itens como alarmes e cercas elétricas deixaram de ser objetos de luxo. "As pessoas querem mais segurança. E estão dispostas a pagar por isso", afirma Rodrigo Lopes.
Por toda a cidade, é comum encontrar quem destina parte dos rendimentos para "comprar" mais segurança. É o caso de um morador da Vila Alto Paraíso, que, em busca da mesma garantia que o motivou a "blindar" sua residência, pediu para não ter o nome divulgado.
O técnico de informática de 35 anos instalou recentemente em sua casa cerca elétrica, alarme monitorado e sensores magnéticos nas portas e janelas. Além de uma mensalidade de R$ 60,00 para manter o monitoramento, o preço de todo o equipamento, no mercado, gira em torno de R$ 3,5 mil.
O Investimento é alto para o técnico de informática, porém, "bem gasto" para garantir mais tranquilidade. "Eu tenho mulher e um filho pequeno, de 5 anos. Fico muito pouco em casa. Se alguém pular no meu quintal, eu sei o que está ocorrendo", conta.
Ele ainda explica que morava em um apartamento e, só se mudou para uma residência, quando tinha dinheiro para investir na segurança do local. "Foi a primeira coisa que eu fiz. Mais para frente, quero colocar câmeras ainda", completa.
Valores variam
Mas, quanto custa essa segurança a mais? Segundo Rodrigo Cristiano Paes Lopes, os valores variam de acordo com o anseio do cliente. Ele, entretanto, recomenda o alarme monitorado, que seria o item mais vendido atualmente em Bauru.
"O alarme monitorado sai, em média, por R$ 850,00 e mais uma mensalidade de R$ 50,00. Com ele, uma central sabe tudo o que ocorre no imóvel por meio de sensores", afirma.
Quem quer uma proteção mais em conta, pode optar pela cerca elétrica. "O valor é de aproximadamente R$ 450,00, mas é uma proteção mais limitada. Protege de forma perimetral o muro".
E quem pode gastar um pouco mais possuem ainda opções mais modernas. É o caso das câmeras com visualização móvel. "Um sistema com três ou quatro câmeras sai por R$ 1,8 mil, em média. Esses equipamentos possibilitam que a o proprietário veja o que ocorre em sua casa de um computador ou pelo celular", completa Rodrigo Lopes.
Quando o barato sai caro...
Quando se fala em segurança, todo cuidado é pouco. É o que afirma Rodrigo Cristiano Paes Lopes, proprietário de uma empresa de segurança eletrônica em Bauru. De acordo com ele, a pessoa que opta por um sistema de monitoramento tem de saber muito bem a procedência do equipamento e a idoneidade da empresa.
"Não adianta comprar aquele equipamento falsificado ou contratar uma empresa que você não conhece. Quando a pessoa faz isso, pode estar até se colocando mais em risco. O ideal é sempre buscar um profissional que trabalhe com bons equipamentos e que você possa conhecer muito bem a empresa", aconselha.
?Big Brother? da vida real
Além de apontar que a classe média é a propulsora do mercado de sistemas de segurança, a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese) ainda contabiliza um verdadeiro "Big Brother" do monitoramento.
Segundo estimativas da associação, há atualmente 710 mil imóveis "blindados" com sistemas eletrônicos no País. Desse número, a associação aponta que metade seja de estabelecimentos comerciais e metade de residências e condomínios.
Em relação ao número de empresas que oferecem esses sistemas, segundo a Abese, existem atualmente 12 mil atuando no segmento.
Bauru fica fora de ranking paulista de crimes
Mesmo com as recentes ondas de roubos e furtos que Bauru tem vivido recentemente (leia mais nesta e na página ao lado), a cidade não figura no "ranking estadual da insegurança". Pelo contrário: de acordo com a Polícia Militar (PM), os índices colocam o município como o segundo com população superior a 300 mil habitantes mais seguro do Estado e o oitavo do país.
Ontem, a PM divulgou um balanço sobre a média dos últimos 10 anos em comparação aos dados referentes de 2011. Segundo estas estatísticas, tanto os números de furtos e roubos quanto o de homicídios apresentaram reduções médias.
No ano passado, foram 35 assassinatos. Número menor que a média anual da década, que foi de 37,9. Já a quantidade de furtos diários também reduziu de 26 para uma média de 15.
O mesmo ocorre com os roubos. Em todo o ano passado, foram 1072 casos. Em comparação com o cálculo da polícia, na última década, a média anual foi de 1202 roubos.
Mas, então, o que justifica a sensação de insegurança da população refletida, inclusive, na maior procura por sistemas de monitoramento? Para comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, é justamente o maior acesso à informação.
"As pessoas são mais informadas e conectadas. Como as estatísticas mostram, os índices de crimes estão diminuindo e Bauru figura entre as cidades mais seguras do Estado e do País. Porém, uma pessoa vê na internet algo longe daqui e acaba ficando com essa sensação de insegurança", aponta o comandante.
Questionado sobre este começo de ano, que registrou ondas de crimes e casos curiosos como o divulgado ontem pelo JC, na qual um pasto alemão foi furtado de uma residência, Garcia afirma que são casos pontuais. "Consultando o sistema do dia 1 de janeiro até o dia 28, a média é de 13,6 furtos diários. Ou seja, menor que a média de todo o ano passado", finaliza.