Cairo - Pelo menos 73 pessoas morreram e outras 1.000 ficaram feridas no Egito ao fim de uma partida de futebol em Port Said, depois que centenas de torcedores invadiram o campo, segundo informaram as autoridades locais. "O que ocorreu é lamentável e profundamente triste. É o pior desastre do futebol no Egito", disse Hesham Sheiha, vice-ministro da Saúde.
Torcedores do time local, o Al Masry, invadiram o gramado logo depois da vitória de 3 a 1 sobre o Al Ahly, principal time do país e seu rival histórico. Segundo relatos, os torcedores começaram a atirar pedras, cadeiras, fogos e garrafas nos fãs rivais e chegaram a ferir alguns atletas.
Na confusão, os jogadores correram para os vestiários para tentar se abrigar, como afirmou o atacante Sayed Hamdi, do Al Ahly, à TV estatal. Pelo menos 60 pessoas foram socorridas ainda no gramado, e dúzias de ambulâncias foram enviadas ao estádio após o início da confusão.
De acordo com Helmy Ali al Atny, funcionário do Ministério da Saúde, a maioria das pessoas morreu após sofrer fraturas na cabeça, hemorragias internas e quedas das arquibancadas do estádio.
Dos feridos, estima-se que ao menos 150 estejam em estado grave, a maioria com concussões e cortes profundos.
A polícia egípcia afirma que a situação foi controlada algum tempo depois da confusão, com a ajuda do exército.
Mohamed Husein Tantaui, chefe da junta militar, disse que dois aviões do exército foram enviados para Port Said, no nordeste do país, para retirar a equipe do Al Ahly e seus torcedores da cidade e levá-los de volta ao Cairo, a uma distância de 200 km.
Ônibus militares protegidos por veículos blindados das forças armadas também ajudaram a retirar os fãs.
Promotores locais já ordenaram que uma investigação seja aberta para apurar os motivos da invasão do campo e os atos de violência que aconteceram na sequência.
Autoridades já haviam sido enviadas para os hospitais em que os feridos estão sendo tratados para tentar entender as causas da tragédia.
O parlamento do Egito irá realizar reunião de emergência hoje para discutir a violência em Port Said, claro reflexo da atual situação do país. A federação de futebol do país anunciou que todos os jogos do campeonato estão suspensos indefinidamente.
Logo depois que o episódio ocorreu, a partida entre Al Ismailiya e Zamalek, que estava sendo disputada no Cairo, foi interrompida para homenagear os mortos e feridos na tragédia. Pouco tempo depois, a televisão local mostrou imagens de alguns setores do estádio em chamas. De acordo com o narrador da partida, o incêndio teria sido causado pelos torcedores do Zamalek, em protesto pelo cancelamento do jogo.
Atacante brasileiro marca e técnico relata mortes no vestiário
Cairo - Treinador do Al Ahly, o português Manuel José disse, em entrevista a uma TV de seu país, que levou socos e pontapés e viu gente morrer.
"Vi vários torcedores serem atendidos e muita gente morrer. Muitos deles morreram dentro de nosso vestiário, para onde fugiram para serem atendidos, mas acabaram não resistindo", disse.
O técnico português ainda relatou que alguns torcedores estavam dentro de campo desde o início da partida.
O brasileiro Fábio Junior dos Santos, 29 anos, foi o autor do primeiro gol do jogo que terminou em tragédia. O atacante sergipano, do Al Ahly, marcou aos 11min do primeiro tempo. Seu time, depois, sofreu a virada (3 a 1).
O último clube de Fábio Junior no Brasil foi o Campinense, da Paraíba, em 2009. Depois, ele se transferiu para o Naval 1.º de Maio, de Portugal. Os gols da equipe da casa foram feitos no segundo tempo pelo egípcio Momem Zakaria (aos 27min e 38min) e pelo português Cissé (47min).