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É imperativo reduzir a taxa de juros no Brasil!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O Banco Central brasileiro vem promovendo reduções sucessivas na taxa básica de juros. A denominada taxa Selic está em 10,5% ao ano e a última ata do Comitê de Política Monetária sinaliza com novas reduções.

Semanalmente o Banco Central realiza e publica a Pesquisa Focus e o relatório desta semana indica que o Brasil poderá operar com menos de um dígito em sua taxa básica, portanto abaixo dos 10% ao ano, já no mês de março.

Mesmo alguns setores da economia entendendo que o momento é de cautela à medida em que há sinais de recuperação da economia e com ela o receio de descontrole nos preços, penso ser irreversível a redução dos juros básicos da economia brasileira.

De um lado a redução é bem-vinda à medida que o gasto com juros para rolagem da dívida interna brasileira é extremamente elevado. O salto foi de 10,17% com as elevações efetuadas no ano passado. A dívida pública bateu o valor de R$ 1,87 trilhão com o incremento no período de R$ 172,31 bilhões. São valores expressivos.

De outro lado juros elevados engessam o setor privado. Evidentemente que não se preconizam reduções expressivas, mas sim reduções gradativas, invertendo o jogo do controle econômico e da conquista da estabilidade. O governo tem sido menos rigoroso no controle de seus gastos e com isso lança mão da estratégia de segurar o setor privado com política monetária apertada. Isso tem sido a tônica deste o início do Real.

Chegou o momento de ousar mais. É chegado momento de incutir nos agentes econômicos um novo olhar sobre o controle das variáveis econômicas. Não é mais possível aceitar que pratiquemos a maior da taxa de juros real (descontada a inflação) do planeta.

Um país que é tido e havido como a bolsa da vez não pode perder o bonde da história. O medo tem que dar espaço a determinação em mudar.

Evidentemente que a pressão do mercado será intensa. Por sinal, já tem sido assim desde quando o Banco Central promoveu reduções nos juros, contudo, se faz necessário abstrair as análises mais catastróficas, muitas delas voltadas aos interesses dos especuladores, que desejam o "quanto pior melhor" (melhor para ganhar mais na especulação financeira) e pautar a atuação nos sinais reais da economia.

Se o governo esperava um momento para começar a mudar este estado de coisas, ele chegou. É fundamental não se render aos interesses dos operadores do sistema e ao mesmo tempo manter a determinação na consolidação da mudança da maneira de controlar a economia brasileira.

É imperativo reduzir a taxa de juros no Brasil!

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC

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