Brasília - O governo brasileiro quer rever o tratado automotivo firmado com o México. A possibilidade de mudanças no acordo foi acertada ontem em conversa entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente do México, Felipe Calderón. "No momento atual o acordo é desequilibrado contra o Brasil. O presidente Calderón entendeu as razões que a presidenta expôs. Esse processo começa já na semana que vem. Acreditamos que num prazo curto, dentro de fevereiro, a gente possa produzir uma revisão que seja aceita pelos dois países", afirmou o ministro Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), em entrevista coletiva.
O México é a terceira principal origem de veículos importados no País e o comércio de automóveis entre os dois países foi deficitária para o Brasil nos últimos anos. A ruptura, se confirmada, é mais uma estratégia do governo da presidente Dilma Rousseff para conter a entrada de carros produzidos no Exterior e que já representam quase um quarto do vendido no País.
O ministro afirmou que não houve ruptura do acordo em vigor. "Sugerimos como uma possibilidade a utilização da cláusula de saída caso não se chegue a um bom termo nesse processo de negociação. Mas tanto o ministro Patriota quanto eu estamos certos de que vai haver", acrescentou Pimentel.
Termos
Pimentel citou alguns pontos que o Brasil gostaria de ver revistos no acordo: "Queremos aumentar o conteúdo regional na produção dos veículos, tanto no México como no Brasil e ampliar o escopo do acordo de forma que não seja apenas para automóveis de passeio, como é hoje. E inclua também caminhões, ônibus, utilitários, o que poderia melhorar o saldo, que hoje é totalmente negativo contra o Brasil."
Em 2011, o resultado foi negativo em US$ 1,55 bilhão - alta de 196% ante 2010. Entre as causas de insatisfação do Brasil estão o aumento das importações de veículos do país e a baixa exigência de conteúdo nacional pelos mexicanos em 30%. O acordo garante isenção da taxa de importação de 35% que é cobrada de veículos vindos da Europa, da Ásia e dos EUA.