Internacional

Confrontos no Egito matam quatro


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Cairo - Manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança do Egito ontem, pelo segundo dia consecutivo de protestos em resposta à tragédia que deixou ao menos 74 mortos após um jogo de futebol na quarta-feira. Ao menos quatro pessoas morreram até o momento.

De acordo com relatos de moradores do Cairo, policiais estavam disparando balas de borracha para conter a multidão - ao menos uma pessoa morreu durante a ação.

Mais cedo, a morte de uma segunda pessoa havia sido confirmada na Capital, Cairo, após ser atingida pelo disparo de uma espingarda de caça. Outras duas morreram na cidade de Suez, onde a polícia usou munição letal para conter uma multidão que tentava invadir uma delegacia, segundo testemunhas e o serviço de ambulâncias.

Muitos egípcios culpam as autoridades por não proteger os torcedores no estádio localizado na cidade de Port Said, onde houve a tragédia.

Na madrugada de ontem, milhares de manifestantes apedrejaram a sede do Ministério do Interior no centro do Cairo. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, mas o grupo insistia em se reagrupar.

Centenas de pessoas foram feridas em confrontos entre as forças de segurança e manifestantes em todo o país anteontem e ontem. O Ministério da Saúde egípcio revelou que 1.482 pessoas já foram atendidas por médicos e ambulâncias em virtude dos conflitos na porta do Ministério do Interior.

Pela manhã, manifestantes haviam afastado uma barreira de concreto numa rua próxima ao ministério, para chegarem mais perto do prédio. Uma testemunha da agência de notícias Reuters escutou disparos e viu no chão cápsulas disparadas.

Durante a noite, ambulâncias precisaram intervir para resgatar um caminhão da tropa de choque policial que havia entrado por engano em uma rua cheia de manifestantes. O veículo passou cerca de 45 minutos cercado e apedrejado.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu anteontem ao governo egípcio para tomar "medidas apropriadas" frente à tragédia. Por meio de mensagem lida pelo porta-voz Martin Nesirky, o chefe da organização se declarou "entristecido" e apresenta suas condolências às famílias das vítimas.

Países do Ocidente também enviaram seus sentimentos e pediram investigações para esclarecer a tragédia. A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, requisitou uma investigação "imediata e independente" sobre o episódio.

Já os Estados Unidos expressaram o pesar em torno do confronto, em comunicado da porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

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