Santos e Palmeiras fazem neste domingo, às 17h, no estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente, o primeiro grande clássico do Campeonato Paulista com objetivos parecidos. Embora estejam em ritmos diferentes, o jogo é uma boa oportunidade de afirmação para os dois lados. O time alviverde testa sua força para saber o quanto pode render na temporada, enquanto que o alvinegro espera mostrar que está recuperando o ritmo de jogo e, em breve, voltará a ser a equipe que tanto encantou o País e só foi parada pelo poderoso Barcelona no Mundial.
As armas dos times são bem conhecidas. O Santos aposta as fichas na genialidade de Neymar, na maestria de Paulo Henrique Ganso e no faro de gol de Borges. Mas o fraco desempenho do time no empate por 1 a 1 contra o Oeste, na quinta-feira passada, no primeiro jogo dos titulares na temporada, serviu para ligar o alerta. O técnico Muricy Ramalho avisou que ainda vai demorar para o bicampeão paulista e tri da Libertadores da América voltar a jogar como no seus melhores momentos, especialmente no primeiro semestre do 2011.
No lado alviverde, as esperanças estão nos pés de Marcos Assunção e Valdivia. O volante é um dos melhores cobradores de falta do Brasil e ainda leva muito perigo nas cobranças de escanteio. Muitos dos gols de Marcos Assunção saíram graças as faltas cavadas por Valdivia, que, assim como Neymar, é especialista em desconcertar as defesas adversárias com seus dribles.
Felipão admite que está ansioso por esse jogo para saber o verdadeiro nível de sua equipe nesta temporada. "A gente sabe que todos os times vão crescer ao longo da competição porque fisicamente iniciamos de forma razoável. O Santos passa por dificuldades maiores do que as nossas. Mas, mesmo assim, será um grande teste", analisou o treinador.
Muricy Ramalho admite que o fato dos titulares voltarem a jogar uma semana depois do elenco palmeirense é uma desvantagem considerável e ele já avisa que o time não está preparado para o jogo. "Nossa preparação está atrasada em relação ao adversário, mas é o preço que se paga pelo sucesso do ano passado. Não estamos prontos para disputar um clássico. Se alguém estiver sentindo algum problema físico, eu tiro do jogo", avisou.
Mistérios
Os dois treinadores mantiveram a tradição e não anteciparam as escalações. Felipão disse que iria analisar taticamente o adversário antes de decidir quem joga. Já Muricy Ramalho vai montar o time de acordo com o desgaste dos atletas. Mas, até para manter o ritmo de jogo, importante neste início de temporada, a tendência é que os dois times mudem muito pouco em relação a rodada passada.
No Palmeiras, a dúvida é no meio de campo. Patrik pode ser mantido no time, mas outra possibilidade seria a de recuar Luan para o setor e Maikon Leite entrar no ataque, ao lado de Fernandão. Já no Santos, Muricy Ramalho está em dúvida entre Elano e Ibson. No jogo contra o Oeste, Elano pediu para sair com menos de 30 minutos, o que irritou o treinador. No intervalo o meia foi sacado, sob a alegação de que não conseguia ajudar na marcação. O caso pode ter sido o estopim para sua saída do clube.
Os recém-contratados reforços palmeirenses, Román, Artur e Barcos, ficaram fora da lista de relacionados para o jogo e ainda não vão estrear. Os dois primeiros já foram inscritos e regularizados, mas Felipão preferiu não convocá-los. Já o atacante argentino aguarda os últimos trâmites de sua transferência para ter condições de jogo. O meia Tinga, muito criticado pela torcida, ficou fora da lista mais uma vez, assim como Pedro Carmona.
Pelo lado do Santos, o lateral-esquerdo Léo sentiu dores musculares, ontem, e desfalca a equipe no clássico. O jovem Paulo Henrique, 18 anos, deve estrear como profissional pelo Santos na vaga aberta pelo veterano Léo.
Neymar e Valdivia fazem duelo da genialidade
Eles não estão no melhor da forma física, mas isso não impede que façam seus malabarismos com a bola. Neymar e Valdivia são as duas principais atrações do clássico deste domingo, em Presidente Prudente. O santista trava com o palmeirense um confronto que não se limita apenas aos três pontos. A dupla desperta o amor e o ódio dos rivais, mas o respeito coletivo.
Neymar está em um nível acima de Valdivia. O próprio chileno admite que não dá para comparar. "Eu estou muito abaixo do Neymar. Ele está no nível de Messi, Cristiano Ronaldo, esses caras. Eu posso ser importante no Brasil, mas não posso falar que dá para disputar com ele", disse o sincero meia.
Ele tem razão e boa parte da torcida palmeirense concorda com seu xodó, mas não deixa de apostar todas suas fichas nele. Além da habilidade com a bola no pé, a dupla tem outra semelhança: a arte de provocar os adversários. Vários foram os jogos em que Valdivia e Neymar cavaram expulsões de seus adversários, levando-os a perder a cabeça e apelar para os pontapés.
Existe até uma polêmica sobre um desses dribles provocantes. Valdivia é conhecido como o responsável pelo "chute no vácuo". Neymar também faz o lance e os torcedores palmeirenses ironizam, dizendo que ele copia o drible do chileno. Sobre quem é o inventor da jogada é um mistério, mas o fato é que ambos a executam com perfeição. Geralmente em clássicos, as equipes jogam mais abertas e vão em busca do gol. Não é bom negócio recuar diante de um rival e neste domingo não será diferente. É aí que a dupla se aproveita. Nos contra-ataques, surgem os espaços que eles precisam para ultrapassar a marcação e parar dentro do gol. "Time grande não faz marcação homem a homem e temos mais liberdade para jogar", disse Valdivia. Para resumir, o chileno falou o que acha do duelo contra Neymar. "Vai ser fera". Neymar preferiu o silêncio e não falou desde o jogo contra o Oeste.
Festa
A partida pode entrar para história da carreira e da vida de Neymar. Além de vencer um clássico, que por si só, já é algo para comemorar, o craque da camisa 7 alvinegra também pode celebrar duas datas marcantes. Neste domingo ele completa 20 anos e, independentemente do resultado, já combinou receber alguns amigos para celebrar a data. Antes da festa, porém, ele quer marcar um gol e não pode ser de "qualquer jeito". Seguindo um conselho de Pelé, ele tem ensaiado para marcar um gol de bicicleta. Além disso, ele marcou 99 gols como atleta profissional. Tentou fazer o 100.º contra o Barcelona, mas não conseguiu. Contra o Oeste, ficou no "quase" também. Neste domingo é mais uma excelente oportunidade de atingir a marca centenária e aumentar os feitos em seu currículo.
Para enfatizar a importância de marcar um gol neste domingo, Neymar ainda não balançou as redes desde o nascimento de seu filho Davi Lucca, em agosto do ano passado. Se finalmente desencantar, o tento será dedicado ao seu primogênito.
Valdivia não sabe de boa parte desses números. Ele só quer saber de jogar bola. "Eu nem sei dessas coisas que vocês (jornalistas) falam", disse, em tom de ironia e soltando um sorriso logo em seguida. Mas, mesmo sem saber exatamente o motivo, ele sabe que existe vários para Neymar querer brilhar e o Santos vencer. Por isso, não deve facilitar a vida do rival.
Além de somar mais três pontos para o Palmeiras, o jogo é uma oportunidade para o chileno mostrar que realmente terá um 2012 diferente. No ano passado, sofreu com sucessivas lesões e problemas extracampo. No final do ano, prometeu que tudo seria diferente agora.
Wesley, ex-Santos, perto do Verdão
O Palmeiras pode anunciar no início da próxima semana seu sexto reforço para a temporada. Ontem, a diretoria do Werder Bremen confirmou a negociação envolvendo o meio-campista Wesley com o Verdão. "Não estamos distantes, vamos ver a papelada", afirmou o gerente esportivo da equipe alemã, o ex-jogador Klaus Allofs.
A expectativa na Alemanha é de que o negócio seja concretizado no início da semana, por 6 milhões de euros (cerca de R$ 13,5 milhões). A imprensa alemã, inclusive, já faz até um balanço sobre a passagem do meio-campista pelo Werder. Depois de ter se destacado em 2010 pelo Santos, o atleta foi adquirido pela equipe de Bremen por 7,5 milhões de euros, mas volta agora ao Brasil por um valor menor. Durante seu período na equipe europeia, Wesley chegou até a ser convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Mano Menezes. Porém, o jogador sofreu problemas de lesão e não conseguiu dar sequência na Alemanha. Ao todo, foram apenas 26 jogos pelo Werder, com dois gols.