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Salões repletos depois dos desfiles

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 5 min

Desde criança, ainda grudado na barra da calça do pai, o também radialista Tobias Ferreira Filho, Tuba, é outra testemunh a dos áureos carnavais bauruenses. Mas foi já na fase adulta, também com os microfones, que protagonizou verdadeiras "maratonas" para dar conta da cobertura dos festejos na cidade, tamanha era a agenda. "Terminavam os desfiles tinha os bailes, e eram muitos", recorda. "Formávamos grandes equipes para dar conta da cobertura, com grande audiência", acrescenta.

Bauru Atlético Clube (BAC), Clube dos Bancários, Sociedade Hípica de Bauru, Associação Luso Brasileira, antigo clube da Paulista, Bauru Tênis Clube (BTC), e Esporte Clube Noroeste figuravam entre as principais agremiações que promoviam as concorridas festas de salão, para onde as equipes de reportagem corriam assim que encerrado o desfile na Nações Unidas.

Locutor da rádio Auri-Verde ? que neste ano, retoma o tradicional prêmio "Tamborim de Ouro", iniciativa que conta com o apoio do Jornal da Cidade e 96 FM, Ferreira lembra que, mesmo com casa cheia e públicos com perfil bastante definido, os bailes ainda eram palco de intercâmbio entre frequentadores de diferentes agremiações.

"Os participantes se ?visitavam? entre os clubes", conta, lembrando que, antes mesmo do desfile atingir o auge na Nações, Bauru já tinha prestígio no meio carnavalesco. "Quase 40 ônibus vieram do Rio de Janeiro, em 1970, com integrantes do Salgueiro", recorda.

A escola de samba carioca, que desfilou no centro da cidade, na região da Batista de Carvalho, foi trazida por intermédio de Tobias, pai de Tuba, e Cláudio Amantini, ex-presidente do Noroeste, lembra Ferreira.

O declínio dos clubes, não apenas dentro do Carnaval, aliado aos problemas enfrentados pelas escolas de samba, deixou Bauru praticamente sem a festa, exceto por bailes esporádicos.

Contudo, a retomada, para Tuba, não é "fogo de palha" e tem tudo para reconstruir a tradição esquecida.

"O povo gosta da festa. Os blocos reviveram o Carnaval, que está voltando", confia Ferreira.


A panela ferve

Inaugurado em 1956, o ginásio Panela de Pressão sediava os bailes do Noroeste. Frequentado por um público formado pelas camadas mais populares, o evento lotava a arena.

O calor das festas, lembra o memorialista e jornalista Luciano Dias Pires, deu origem ao termo com que a praça esportiva é conhecida até hoje. "Foi quando nasceu a expressão pelo fato dos bailes ?ferverem?", atribui.

Atuante no Carnaval bauruense principalmente até os anos 1970, Dias Pires lembra que o principal palco da folia na cidade até essa época, quando a concentração migrou para a Nações, era a avenida Rodrigues Alves.

Antes ainda, ressalva o memorialista, a Batista de Carvalho também aglomerava a folia. Eram nas esquinas da rua que hoje abriga o Calçadão em que eram vendidos, como doce de criança, artigos que hoje figuram mais nas páginas policiais. "Eram montadas bancas para a venda de tubos de lança-perfume", recorda. "O ?Rhodoro?, da Rhodia, era o lança-perfume ?chique?, vendido em tubos metálicos. Os mais simples vinham em embalagens de plástico mesmo", lembra Toledinho, bem humorado.

Nos arredores da Batista e Rodrigues, acrescenta Dias Pires, ainda ocorriam as disputas do Corso, competições de carros adornados que envolviam muito confete e serpentina. "Era tanta serpentina que muitos veículos simplesmente paravam, enroscados", ilustra o memorialista.


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Festa local se reestrutura enquanto Rio ?redescobre? blocos

O Carnaval que já foi considerado o melhor do interior e o terceiro de todo o Estado tenta, em 2012, retomar o fôlego perdido.

Após a tímida volta da festa há dois anos, a celebração popular em Bauru encontra neste ano o que pode ser um divisor de águas para os eventos dos próximos anos.

Elson Reis, secretário da cultura, diz aguardar público estimado em 30 mil pessoas, por noite, no Sambódromo.

Com um aporte financeiro estimado em R$ 25 mil, por escola ? por meio de convênio entre a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com empresa que presta serviço terceirizado -- o desfile das agremiações, dividido entre os dias 19 e 20 (domingo e segunda-feira), teve, nos dois últimos anos, a crucial participação dos blocos, que ajudaram no reavivamento da festa popular.

E são essas manifestações que fazem com que uma antiga celebração na "capital cultural" do País volte a receber os merecidos holofotes.


Cordão solto

Enquanto que poucos privilegiados acompanham o desfile na Marquês de Sapucaí e milhões assistem o mesmo evento pela TV em todo o mundo, um animado cordão de foliões faz a verdadeira festa popular do Carnaval nas ruas do Rio de Janeiro. É a concentração de blocos.

Festa gratuita, não é necessário comprar abadás ou pagar qualquer tipo de filiação, bastando seguir as tradicionais bandas (são mais de 400 blocos, conforme a Riotu7r), essa movimentação volta a ganhar maior visibilidade.

Contudo, são necessários alguns cuidados, recomendados por sites especializados em Carnaval carioca, para acompanhar a festa sem "fazer feio" na multidão.

Uma das recomendações é fazer uma agenda, devido ao grande número de blocos e sair a pé. O "mico" de ser detido pela polícia ao urinar na rua ? fato que origina até campanha publicitária de conscientização ? também deve ser evitado.

Em tempo: a maior concentração de blocos no carnaval carioca ocorrerá na Zona Sul, que abrangerá 145 agremiações. 76 grupos fazem a festa no centro e 63 na Zona Norte da capital fluminense, que ainda terá 44 turmas na Barra da Tijuca, 32 na Zona Oeste e mais 22 na Ilha do Governador.

Entre alguns dos destaques estão os tradicionais "Banda de Ipanema", "Sargento Pimenta e o Clube dos Corações Solitários", "Sargento Pimenta", "Sassaricando", "Escangalha", "Cachorro Cansado" e "Afroreggae".


Serviço

Mais informações e agenda completa sobre o carnaval popular dos blocos, nas ruas desde o início do mês, na página oficial da festa carioca /www.rioguiaoficial.com.br.

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