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Fundo musical para roupas


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Em um desfile, a protagonista pode até ser a roupa, mas o show só é completo com música, luz e cenário. Meio que por acaso, escolher o som que combina com cada coleção se tornou especialidade do produtor musical Max Blum, de 36 anos.

O empurrão inicial partiu do amigo e stylist Daniel Ueda, que chamou Blum para assinar suas primeiras trilhas. "Fiz da maneira que eu achava que deveria ser feito, sem fórmulas", afirma Blum.

O resultado deu tão certo que, atualmente, o músico paulistano não assina menos de dez trilhas de desfile por edição da São Paulo Fashion Week. Na temporada de inverno 2012, não foi diferente. Blum escolheu a música que acompanhou os modelitos de inverno de Tufi Duek, Alexandre Herchcovitch, Iódice, Triton, Reinaldo Lourenço, Huis Clos, Colcci, Gloria Coelho e João Pimenta.

Quanto tempo leva para preparar uma trilha sonora?

Max Blum - A parte mais demorada é pesquisar e encontrar as músicas certas para cada desfile. Eu faço uma primeira seleção e mostro para os responsáveis da marca. É super-normal as trilhas ficarem prontas apenas dois, três dias antes do desfile.

Como escolhe o gênero musical para os desfiles?

Max - Isso é feito de forma subjetiva e específica também. Tem gente com quem trabalho há muito tempo e já conheço o gosto. Mas tenho uma coisa na minha cabeça que já me aponta se será uma trilha mais orgânica ou mais digital, eletrônica.

Como a música tem que funcionar em um desfile?

Max - É quase como a trilha para cinema. Não é uma música para ouvir em casa. Serve para levantar a roupa, e não ser maior do que ela. É um som que deve situar a roupa.

Mas já aconteceu de te pedirem a trilha para ouvir depois?

Max - Sim, mas vai muito pelo gosto musical. Uma vez coloquei as trilhas que eu já tinha feito em um blog. Foram mais de 30 mil downloads.

Você costuma ver as roupas antes de escolher o som?

Max - Algumas vezes, mas o que eu gosto mais é de conversar com os estilistas. É durante a conversa que tenho com eles que vejo o clima, a ideia.

O fato de ser uma coleção de verão ou inverno influencia na trilha?

Max - Sim, o inverno é mais permissivo. Permite ser mais experimental e denso. Música pesada, às vezes, não combina com pouca roupa.

Você tem um banco de músicas?

Max - Sim, por exemplo, só de 2011, tenho mais de 2 mil discos. Ainda assim, às vezes, fico dias procurando até achar a música certa. Eu tenho uma tendência a não repetir bandas ou ideias.

Como você começou a fazer trilha para desfile?

Max - Eu comecei por causa do Daniel Ueda. Antes de ele se tonar stylist, nós já éramos amigos. Na época, eu estava começando a trabalhar com música eletrônica e tocava guitarra em algumas bandas. O Daniel começou a trabalhar e a me indicar para fazer as trilhas. No começo, eu não tinha muita ideia do que estava fazendo, mas deu certo. Meu primeiro grande desfile foi um da Colcci.

E foram te chamando mais?


Max - Sim, acho que o meu gosto combina com o gosto da moda. Isso sempre facilitou o trabalho. Eu tenho prazer em fazer.

E agora, vai descansar?

Max - Então, vou retomar o resto da vida (risos). Eu também toco no Mix Hell (projeto de Iggor Cavalera). Agora, vou acabar de produzir o nosso disco. Depois, vamos começar a fazer shows com ele.

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