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Blindados vão às ruas em Salvador


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Salvador - Blindados Urutu do Exército começaram ontem a patrulhar as ruas de Salvador, que vive dias de violência e medo com a greve dos policiais militares da Bahia, iniciada terça-feira passada. Dois dos quatro veículos, trazidos de Recife (PE), circularam anteontem por algumas das principais vias da cidade, com a missão de evitar tumultos e a obstrução de ruas, como ocorreu quinta-feira.

Naquele dia, grevistas armados tomaram ônibus e bloquearam a avenida Paralela e o acesso ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde se concentram as sedes dos poderes estaduais.

Cerca de 3.100 homens da Força Nacional de Segurança e do Exército reforçam a vigilância na cidade. A Polícia Federal também atua no esquema, com seu serviço de inteligência, para tentar evitar ações, como saques.

Com esse trabalho em conjunto, as forças federais esperam reduzir a sensação de insegurança que tomou conta da população com a greve.

 

Anistia

Acampados na Assembleia Legislativa, os grevistas dizem que não recuarão, mas reduziram suas reivindicações, de seis para três. Eles dizem que aceitam voltar ao trabalho se o governo conceder anistia administrativa, incorporar gratificações aos salários e pedir a revogação das 12 prisões determinadas pela Justiça.

Um grupo de 40 agentes da PF desembarcou anteontem em Salvador para cumprir os mandados de prisão e encaminhar os detidos para presídios federais.

Ontem, o policial militar Alvin dos Santos Silva, da Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental, foi o primeiro a ser preso, acusado de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público - no caso, os veículos da PM retidos pelos grevistas.

"Já reduzimos ao máximo a nossa proposta, agora falta o governo fazer a sua parte", disse o líder do movimento e presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado Bahia (Aspra), Marco Prisco.

Protegido por cerca de 30 homens armados, ele diz estar sendo ameaçado de morte. Para evitar ser encontrado, muda constantemente de sala, dentro da Assembleia.

Prisco passou mal anteontem e foi medicado. Uma enfermeira o acompanha.

No final da tarde, o clima era tenso no acampamento, com helicópteros sobrevoando o local e rumores de que eles seriam obrigados a deixar a Assembleia ontem.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que não atenderia as reivindicações dos grevistas. "É a primeira vez que alguém faz greve depois de ter um aumento de 6,5% para repor a inflação", afirmou o governador.

 

Assassinatos mais que dobram

Salvador - O número de registros de assassinatos em Salvador e na região metropolitana mais que dobrou nos seis primeiros dias de greve dos policiais militares do Estado.

No período, 86 pessoas foram assassinadas em Salvador e região metropolitana. Nos mesmos seis dias da semana anterior, foram registrados 42 homicídios.

Os dados são da Secretaria de Segurança da Bahia, que registrou ainda 220 roubos e furtos de veículos durante a paralisação, iniciada terça-feira. Na semana passada, 101 carros foram roubados.

Na sexta-feira, dia mais violento da greve até agora, 32 pessoas foram mortas e 72 carros foram roubados na região. Uma semana antes, 26 veículos desapareceram e 13 homicídios ocorreram.

Apesar da presença ostensiva das tropas federais, o clima na cidade ainda permanece tenso. O movimento nas ruas, segundo os comerciantes, ainda não é normal. Nas ruas de comércio popular, onde diversos saques aconteceram durante a semana, lojas contrataram seguranças particulares para reforçar a proteção.

Homens do Exército com armas de guerra e policiais da Força Nacional de Segurança patrulham os principais pontos turísticos de Salvador. Bloqueios foram montados nas ruas. Carros e motos são parados, e os condutores e veículos, revistados.

Nas praias, os dias ensolarados e a presença militar fizeram aumentar o movimento de banhistas. Mesmo assim, diversos shows foram cancelados e adiados no fim de semana. As escolas particulares de Salvador ameaçam adiar o início do ano letivo.

 

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