O desconforto experimentado por quem tentou dormir com o calor noturno deste último fim de semana foi comprovado em números pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Segundo o órgão, Bauru registrou a madrugada mais quente do ano, com 22,1 graus, no domingo passado.
A temperatura foi maior do que a marca de ontem, quando, às 3h35, os termômetros alcançaram 21,7 graus. No decorrer do dia, as temperaturas subiram ainda mais e chegaram a 33,3 graus, patamar quase equivalente ao recorde do ano, de 33,5 graus, registrado no dia 4 de janeiro. A previsão, entretanto, é de que o calor aumente até amanhã e bata a casa dos 35 graus.
Para enfrentar o sol forte, a auxiliar de serviços gerais Karlline Pereira da Silva, 24 anos, não abre mão de algumas medidas quando precisa caminhar pelas ruas. Ontem, ela foi às compras na região central e se protegeu com um guarda-sol durante as duas horas em que permaneceu "batistando" no Calçadão.
"Às vezes, uso até chapéu. Não dá para encarar este calor sem nada", confessa. Nestes dias de altas temperaturas também durante a madrugada, o ventilador também tem sido companhia constante dentro do quarto. "Tem hora que nem o ventilador resolve. Aí, só mesmo tomando um banho gelado", ensina.
Sombra e verde
Em vez de guarda-sol, foi uma árvore frondosa que serviu de proteção para o casal Lenita Alvarez Ruiz, 30 anos, e Paulo Cézar Lipi Mariano, 31 anos. Depois de pagar contas, eles foram até o Parque Vitória Régia para namorar, numa demonstração de que, mesmo depois de 10 anos de casados e submetidos a um calor de 33 graus, ainda é possível manter a paixão acesa.
"Estou de folga e ele só trabalha à noite. A gente sempre vem ao parque para ficar um tempo junto", comenta Lenita. "Aqui tem sombra e verde, então o calor não parece tão forte. Mas, em casa, só dá para ficar se o ventilador estiver ligado", pondera.
Além do aparelho eletrônico, Lenita combate as temperaturas de verão ingerindo muita água. Já Paulo adota outra estratégia. "Eu bebo cerveja. Não há nada melhor", comenta.
De acordo com o IPMet, as altas temperaturas desta última semana estão associadas à falta de chuva. "A umidade provoca uma sensação de desconforto maior, mas a chuva e a nebulosidade, na verdade, derrubam as temperaturas", explica a meteorologista Rita Cerqueira Lopes. No dia 4 de janeiro, quando foi registrada a temperatura mais quente do ano, de 33,5 graus, também não havia chovido na cidade. A massa de ar seco que estacionou sobre Bauru, entretanto, deve se dissipar nos próximos dias.
Cá e lá
Enquanto isso, vale dizer que São Paulo também teve início de semana quente. Na Capital, a madrugada de ontem foi a mais quente dos últimos 11 meses, com 22 graus, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na estação do Mirante de Santana (zona norte).
Fala-povo: O que você faz para amenizar o calor à noite?
"Deixo o ventilador ligado a noite inteira e, mesmo assim, não consigo descansar direito. E, sem chuva, ainda ataca a sinusite."
Elisabete Alexandre Miguel, 42 anos, manicure
"Sou caminhoneiro e não sinto tanto porque meu caminhão tem ar condicionado. Mas, em casa, ligo o ventilador, senão não consigo dormir."
Israel Rocha do Carmo, 35 anos, caminhoneiro
"Sou mototaxista e estou trabalhando à noite por causa do calor durante o dia. É mais fresco. Para dormir, só com o ventilador."
Aline Graciele Pereira, 29 anos, mototaxista