Salvador - Forças federais, grevistas da PM baiana e apoiadores do movimento protagonizaram ontem uma série de confrontos em frente à Assembleia Legislativa do Estado.
O local, onde os líderes da greve e seus familiares estão concentrados, foi cercado pelos homens do Exército que tentam garantir a segurança no Estado após o início da paralisação dos PMs, iniciada na terça da semana passada.
A tomada da Assembleia Legislativa pelos grevistas são o ponto máximo da maior crise política enfrentada pelo governo Jaques Wagner (PT).
O petista pediu à presidente Dilma Rousseff que tropas federais assumissem o controle do policiamento na capital para evitar a violência nas ruas, agravada pela falta de policiamento ostensivo.
Houve quatro confrontos entre o Exército quando manifestantes que estão do fora do prédio tentaram entrar. Entre rasantes de helicópteros, bombas de efeito moral foram detonadas e gás de pimenta foi lançado contra a multidão.
Balas de borracha disparadas pelos militares feriram cinco pessoas sem gravidade.
Sem luz e água
Sitiados e armados, grevistas diziam que resistiriam a tentativas de invasão. Eles estão sem luz e água. O Exército dizia que não faria a desocupação à força.
Cerca de 1.070 homens do Exército, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Federal, além de PMs que não aderiram à greve, estão mobilizados para a operação.
O Comando de Operações Táticas da PF é o encarregado de cumprir o mandado de prisão contra o líder dos grevistas, o ex-PM Marco Prisco.
Dentro da Assembleia, os cerca de 500 grevistas acampados - entre eles mulheres e crianças - ocuparam a rampa de acesso ao prédio e os andares superiores, onde montaram postos de observação.
Do lado de fora, grades de ferro foram instaladas ao redor do prédio. Cordões de isolamento formados por homens armados com metralhadoras e fuzis impediam a aproximação de todos.
"Não queremos que seja uma nova Canudos, só queremos nossos filhos de volta", disse a dona de casa Arlete Meireles, mãe de um PM amotinado na Assembleia.
A crise provocada pela greve paralisou os Poderes do Estado. Servidores do governo, do Tribunal de Justiça e do Ministério Público foram retirados dos prédios onde trabalham, pois eles ficam ao lado do edifício da Assembleia.
Temor faz comércio fechar as portas no Interior
Ilhéus - Rumores de arrastões provocaram pânico em cidades baianas e fizeram com que parte do comércio fechasse as portas nos últimos dias, num "efeito cascata". Em Ilhéus, Itabuna e Vitória da Conquista, na região sul do Estado, parte das lojas, shoppings e supermercados não funcionaram.
"Às 10h estava tudo normal, até um homem dar dois tiros para cima na praça principal", disse o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista, Marcos Alberto das Virgens. "Então correu boato de toda natureza, a população entrou em paranoia e lojas fecharam as portas."
Situação semelhante ocorreu na semana passada em Itabuna, segundo o presidente da OAB local, Andirlei Nascimento Silva. "É uma histeria coletiva. Na Capital e no Interior, as pessoas estão com muito medo", disse.
O subcomandante do comando da PM na região sul, Idilceu Bastos, afirmou que não foram confirmados arrastões por grupos organizados nessas cidades. "Normalmente, passa alguém gritando: "Arrastão!’. Aí algumas pessoas aproveitam para sair pegando o que está nas portas das lojas", afirma.
Em Ilhéus, onde a Polícia Civil disse à que a situação era "normal", o fórum fechou uma hora mais cedo ontem e os ônibus circulam só até as 20h até a greve terminar.