A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), prendeu uma dupla acusada de vários roubos à mão armada em Bauru. Entre os alvos dos assaltantes, estão distribuidoras de bebidas, postos de combustível, casas e uma marmoraria. Um dos suspeitos, conhecido como Talibã, possui extensa ficha criminal e forte ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a DIG, a dupla cometia, em média, um roubo diário.
Além da alcunha Talibã, o suspeito de 33 anos possui duas outras denominações: Flexon Costa Soares da Silva, seu nome verdadeiro, e Alexander de Paiva Júnior, usado em alguns crimes. Junto com ele, foi preso seu parceiro: Ronne Willer de Araújo, 27 anos, o "motorista" nas ações.
Talibã foi preso anteontem em um hotel na rua Primeiro de Agosto, região central da cidade. Segundo Cledson Luiz do Nascimento, delegado da DIG, ele chegou há dois meses em Bauru e, desde então, iniciou uma série de roubos em diferentes regiões do município. A dupla estaria envolvida em outro assalto em Agudos (13 quilômetros de Bauru). Foi justamenrte esse aumento de roubos que deu início às investigações.
Depois de prender e interrogar Talibã, os policiais confirmaram as suspeitas de que Ronne era seu comparsa. Ele "dava fuga" para o parceiro após os roubos. Na manhã de ontem, o homem foi preso em sua residência, localizada na Vila Industrial.
Enquanto o "motorista" só tinha um processo por uso de moeda falsa, a ficha de Talibã é mais extensa. Com passagens por roubo, extorsão e sequestro relâmpago, ele esteve preso até agosto do ano passado. Em dezembro, mudou-se para Bauru em busca de um amor (leia mais abaixo). Foi quando, segundo a DIG, os roubos aumentaram.
Suspeitos de fazer ‘rapa’ na avenida Getúlio Vargas são reconhecidos
A situação de outros dois homens, que já estavam presos, ficou ainda mais complicada ontem. Eles foram reconhecidos por várias vítimas como os autores de uma série de roubos em pequenos intervalos de tempo na avenida Getúlio Vargas, no final do mês passado.
O reconhecimento ocorreu ontem na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Rodrigo Mariano Macedo, 24 anos, conhecido como Oreia, e José Patrício dos Santos Oliveira, 23, chamado de Lela, foram presos pela Polícia Militar (PM) no mês passado.
O primeiro, que era procurado por roubo, foi preso no dia 26 e ainda é acusado de ter participado de um latrocínio no primeiro dia útil do ano passado. Já o segundo foi detido um dia antes, pelo crime de tráfico de drogas, na favela Santa Filomena.
Segundo os policiais, a dupla foi reconhecida ontem por quatro vítimas dos roubos em série na Getúlio, que ocorreram no dia 22 do mês passado. As investigações apontaram que ambos utilizavam um Palio prata nas ações e se alternavam para cometer os roubos.
Além deste crime, Oreia e Lela, de acordo com a DIG, também foram reconhecidos pela vítima de um roubo em um condomínio próximo ao Jardim Niceia, no último dia 16.
As ligações do crime
Apesar de terem se encontrado ontem na delegacia, as duplas de suspeitos não tinham qualquer ligação. Ou melhor, quase nenhuma. Rodrigo Macedo, o Oreia, já tinha "trabalhado" com Talibã e Ronne, em um roubo a um posto de combustível na Vila Falcão.
Mas, a parceria foi quebrada pelo modo de operação do Oreia. De acordo com a polícia, ele tinha uma marca registrada: acertar suas vítimas com uma coronhada. "O Talibã disse que, logo no primeiro roubo que fizeram juntos, o Oreia agrediu a vítima. Ele ficou bravo com a agressão e, por isso, nunca mais agiram juntos", conta o delegado Cledson Luiz do Nascimento.
Crime nosso de cada dia
De acordo com o delegado Cledson do Nascimento, Talibã confessou sete roubos na cidade. A lista de alvos é grande. O mais recente seria o de um feirante no domingo. Em todos os casos, ele agia armado de um revólver.
Entre as vítimas estão também uma distribuidora de bebidas, que teve R$ 6,5 mil levados na última sexta e uma marmoraria na Vila Santa Clara, de onde foram roubados R$ 8 mil.
"Ele roubava para se manter no hotel em que foi encontrado e em uma casa de prostituição. Já temos reconhecimento dele em nove roubos". Assim, há suspeitas de que, além desses assaltos, a dupla tenha agido em outros crimes.
"É importante que quem reconhecer as fotografias da dupla nos procure", completa o delegado da DIG, Cledson Luiz do Nascimento.
Amor bandido
Flexon Costa da Silva, o Talibã, mudou-se para Bauru com um motivo fixo. Quando esteve preso pela última vez, em Pacaembu, o homem começou a se corresponder com uma garota de programa e se apaixonou. Ao saber que ela trabalhava aqui, ele não teve dúvidas: veio atrás de seu amor.
E o relacionamento dos dois parecia ter se concretizado, uma vez que ela foi retirada do prostíbulo e foi encontrada junto com ele anteontem. No local, havia porções de maconha, garrafas de uísque - possivelmente roubadas da distribuidora de bebidas – e um celular, levado de um frentista.
A história de amor não teve um final feliz. Talibã foi preso e ainda ontem encaminhado à Cadeia Pública de Duartina. Já sua companheira foi liberada após, segundo os policiais, ter colaborado com as investigações.
Próximo alvo?
Segundo a polícia, foram encontrados com os suspeitos indícios de onde seriam os próximos alvos da dupla. Agora, eles iriam "investir" no ramo de joias. "Com o Talibã (Flexon da Silva), foram encontrados três cartões de joalherias, as quais ele tinha visitado. Suspeitamos que eles estavam escolhendo os próximos alvos", aponta o delegado Cledson Nascimento.