Brasília - "O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas." A frase foi dita por Eleonora Menicucci ontem, na primeira entrevista coletiva após ser indicada como nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).
Bombardeada com perguntas sobre a descriminalização do aborto, Menicucci disse que o Executivo "não tem muito o que fazer" a respeito. "O governo tem um projeto no Congresso Nacional, que foi enviado na gestão da ministra Nilcéa Freire, e reforçado pela gestão da ministra Iriny Lopes. Agora, esse projeto só andará no Congresso se assim os parlamentares quiserem e entenderem a importância dele. Neste momento, nós do Executivo não temos muito o que fazer", disse.
A nova ministra não deixou, porém, de afirmar a importância do assunto. "Nenhuma pessoa de gestão que tenha sensibilidade e ouça os números admite que as mulheres continuem morrendo em decorrência de aborto."
Sua posição pessoal - de lutar pela descriminalização do aborto - "a partir de hoje, não diz respeito", declarou Menicucci. "Minha posição pessoal está em todos os jornais, nas entrevistas que dei, não seria eu se não reafirmasse o que falei anteriormente. Mas sou governo, minha posição hoje é de governo."
Quando em campanha, a então candidata Dilma Rousseff se comprometeu com segmentos evangélicos em não capitanear mudanças na legislação pró-aborto.