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Cursos para formação de crianças empresárias

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

É bem provável que ainda no corrente ano letivo as secretarias de Educação dos Estados e muitos municípios do País deem início em suas escolas à implantação dos cursos Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP) promovidos pelo Sebrae e destinados a alunos do Ensino Fundamental dos 6 aos 14 anos. São nove cursos, um para cada ano, e que são aplicados dentro das disciplinas curriculares ou em atividades extracurriculares, a critério da escola, e que têm por objetivos incentivar o empreendorismo, a inserção no mercado de trabalho procurando desenvolver iniciativas e boas atitudes na vida pessoal. Esse programa do Sebrae, que já vem sendo desenvolvido em 102 municípios do Estado de São Paulo há dez anos, já capacitou 8 mil professores e atendeu a 200 mil alunos. Tem ainda como meta a capacitação de mais 94 mil docentes para atender a 317 mil alunos de l,9 mil escolas. Inegavelmente, o programa JEPP do Sebrae é muito importante, necessário mesmo para estes tempos de globalização em que a todo instante as crianças e jovens ouvem através da mídia informações e questionamentos sobre ofertas e procura de empregos, taxas, câmbio, tecnologia digital, poupança, rendimentos e outras expressões. No entanto, é preciso que alguns cuidados sejam tomados para que não ocorram desvios de enfoque de que o mais importante e fundamental não é a formação profissional ou empreendedora em si, mas o homem, a pessoa. Que não se procure ou incentive a abreviação das etapas humanas e necessárias como a infância, pré- adolescência e adolescência. Que a criança e o jovem não sejam levados a pular ou abreviar seus tempos ou fases naturais da vida pela fixação da formação profissional ou começar seu futuro muito cedo, pulando a infância e puberdade. A criança nunca poderá deixar de ser criança e ser tratada como tal para se transformar e ser trabalhada como um miniempresário. Antes de tudo, o mais o importante é o desenvolvimento de sua autoestima e suas potencialidades em todas as dimensões humanas e sociais visto que a educação é um processo contínuo que dura a vida toda e que ocorre com a pessoa de dentro para fora e não de fora para dentro. Que eles saibam e entendam de que ninguém vive sozinho, somente para si, prescindindo do próximo. A solidariedade, fraternidade, enfim, o amor são condições imprescindíveis para uma vida feliz que deve ser o ideal de todo homem. O homem não é uma ilha. Antes do profissional ou empresário está o homem que tem direito de ser feliz. Aliás, o meu entendimento coincide em cheio com o que afirmou o jornalista Luiz Fernando Sá, diretor editorial adjunto da revista Isto É, edição de 11 de janeiro, em seu editorial "A Reforma da Educação", que escreve no introito da matéria "...sobre os novos estudos que ensinam a arte de se relacionar com as pessoas e de entender sentimentos. Isso pode definir o sucesso no trabalho, na família e na vida social." O fato que levou o jornalista a se manifestar no assunto Inteligência Social foi a euforia do recém-ministro da Educação Aloizio Mercadante, que prometeu distribuir tablets a estudantes, levar tecnologia à sala de aula, dar um "choque cibernético no ensino público. A torcida vibra e apoia." E após outras considerações afirmou: "O Brasil necessita da educação que promova inclusão social, que civilize, que humanize, que qualifique e que gere uma revolução que começa pelo respeito ao professor e termina no respeito aos cidadãos pelos gestores públicos." E finalizando sua matéria e pensamento, cita Japão e, principalmente, Coreia do Sul como exemplos de nações que em poucas décadas saltaram do subdesenvolvimento ao patamar de potência tecnológica graças aos gastos maciços em educação. Portanto, é necessário e desejável que neste programa JEPP, concomitantemente ao objetivo de despertar o espírito de empreendorismo no aluno, nesses nove anos procure-se desenvolver acima de tudo a vocação e o respeito ao professor e a solidariedade ao próximo.

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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