A saga dos jedis retorna aos cinemas brasileiros, inclusive em Bauru (veja a programação na página 31), a partir de hoje, em "Star Wars: Episódio I - a Ameaça Fantasma??. Mas, agora, os inúmeros efeitos especiais criados pela equipe do diretor George Lucas vão ser incrementados pelo formato 3D.
O processo de conversão do longa-metragem foi comandada pela empresa Prime Focus, a mesma produtora dos efeitos especiais no filme original.
Iniciada em 2010, a transformação foi bastante detalhada, tendo sido realizada quadro a quadro. O diretor George Lucas preferiu que "Episódio I?? tivesse um estilo naturalístico, em que é adicionado apenas profundidade à imagem existente.
Na aventura espacial, Anakin Skywaker (Jake Lloyd) ainda é criança. Com a ajuda de Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), um cavaleiro jedi, ele descobre que tem forças especiais, que poderão restaurar a paz universo.
O filme, de 1999, não é o único relançamento em 3D previsto para 2012. O sucesso "Titanic?? (1997) e a animação "Procurando Nemo?? (2003) se juntam a "A Bela e a Fera?? (1991), já em cartaz.
As produções voltam depois do êxito de "O Rei Leão?? (1994), que voltou às telas em 2011. O desenho da Disney teve arrecadação de R$ 4 milhões no Brasil. "Esses filmes merecem ser relançados. São marcos do cinema. Além disso, há gerações que não eram nascidas na época??, explica Paulo Sergio Almeida, diretor do site Filme B, sobre o mercado cinematográfico nacional.
No entanto, ele alerta que os longas precisam ser qualificados para a conversão de tecnologia. "Pegar um filme de ação, por exemplo, e colocar no formato pode ser perigoso. O espectador pode se sentir ludibriado.??
Até mesmo diretores considerados mais "cults?? se renderam à técnica em 3D. Na próxima semana, "A Invenção de Hugo Cabret??, de Martin Scorsese, estreia no formato. O longa é líder de indicações ao Oscar deste ano (11). O cineasta alemão Wim Wenders também lança, em 16 de março, "Pina??. O documentário traça a vida da coreógrafa Pina Baush (1940-2009).
Crítica
Desnecessário e redundante quando de seu lançamento original em 1999, a reestreia em 3D de "Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma" é prova de que o filme é obsoleto. Não existe razão para colocar novamente o filme nos cinemas que não a lógica capitalista de George Lucas, que há três décadas e meia faz exatamente o mesmo filme - ao menos, até 2005 ele se dava ao trabalho de fazer um produto ?novo? que repetia tudo o que tinha feito até então, mas, agora, nem isso.
A única coisa realmente em 3D na nessa projeção são as legendas - fora isso, é o velho longa, que nem foi tão bem recebido na época de seu lançamento e sequer resiste a revisionismos.
Fora os fãs mais ardorosos e aqueles que eram jovens demais para vê-lo no cinema em 1999, "A Ameaça Fantasma" não justifica uma nova ida ao cinema. A história, como quase tudo escrito por Lucas, carece de conflitos e personagens mais bem delineados que fujam da dicotomia bons e maus.
O diretor parece nunca se dar conta de que existem tons de cinza entre o preto e o branco. E, desde o começo, deixa-se claro que o jovem Anakin (Jake Lloyd, que cresceu e sumiu do cinema) não é do bem. Surpresa, surpresa, ele será Darth Vader, alguns filmes mais tarde.
Os personagens humanos servem como mera desculpa para a criação de bonequinhos. Lucas desperdiça intérpretes do porte de Natalie Portman, Liam Neeson e Ewan McGregor - que precisam se contentar com personagens insossos, desprovidos de qualquer nuance ou contorno mais definido.
"Ameaça Fantasma", de certa forma, é um retrocesso no cinema de Lucas, em mais de um sentido. Primeiro porque ele volta no tempo narrativo para contar uma história que acontece antes da trilogia lançada entre 1979 e 1983 (mais tarde conhecidos como episódios IV, V e VI).