Geral

Calor bate recorde na cidade em dia de mais queixas sobre a água

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

O absurdo das torneiras secas enquanto "morrem" no esgoto diariamente milhões de litros d?água tratada é potencializado pela temperatura escaldante de 36,3 graus, a maior dos últimos 12 anos para mês de fevereiro em Bauru, ontem.

A população não tem mais paciência para conviver com o descaso de ter água, mas sem poder usufruir do bem. Para tornar a situação ainda mais insustentável, a água que falta na torneira do contribuinte é mal direcionada.

Oficialmente, o DAE lista apenas os bairros do Bauru 16, parte do Parque Roosevelt, Vânia Maria, Vila Dutra, Parque Jaraguá, Parque Real e Nova Esperança com o corte d?água no período das 11h às 2h. Porém, as reclamações chegam aos montes e diariamente ao JC denunciando a torneira seca também no Parque Vista Alegre, Vila Souto, Alto Paraíso e Vila Monlevade e Vila Cardia. E dá-lhe calor. E seca.

Para o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Beckmann Fournier, a solução definitiva para a falta d?água em parte do dia, naqueles bairros identificados, virá com a perfuração do poço profundo no Bauru 16, obra prevista para ser executada ainda neste ano.

Por enquanto, o paliativo para quem quiser ter água é fazer reservação do produto, tendo como referência a proporção de uma caixa de 500 litros para cada dormitório.

A captação de água bruta da lagoa do rio Batalha trabalhava anteontem com 550 a 590 litros por segundo seguindo para purificação na Estação de Tratamento de Água (ETA).


Estimativas

Aproximadamente 137,6 mil bauruenses (40% da população) recebem água da captação do Batalha. Cerca de 206,4 mil pessoas (60%) consomem água retirada de poços. Anteontem, todos os poços produziam normalmente. Um problema na bomba de recalque do Sistema Gasparini, na terça-feira, prejudicou o abastecimento nos bairros Índia Vanuire, Jardim Helena, Jardim TV, Vila Garcia e também no Núcleo Gasparini. Fournier esclarece que o conserto definitivo será feito nos meses de frio. Segundo ele, a reposição de uma peça depende da paralisação do sistema por até três dias.


____________________

Sem água, mas com... vazamento

Um entre as centenas de pontos com vazamentos em Bauru fica na quadra 1 da rua Cabo Henrique Ivano Kammervorak, no Nova Esperança. Neste local, o JC constatou, anteontem, um vazamento que teria começado há um ano e nada do DAE promover alguma ação efetiva, apesar da população insistir nos pedidos para o conserto. O Nova Esperança está incluso na lista oficial de bairros com a torneira seca em parte do dia.

Para a Divisão Técnica do DAE, em nota encaminhada ao JC anteontem, o vazamento na quadra 1 da Ivano Kammervorak somente foi comunicado à autarquia às 7h59, do dia 28 de janeiro deste ano. A nota não diz claramente, contudo sugere que não procede o argumento de que jorra água há um ano sem medidas para estancar a sangria d?água. O JC só não vai identificar a pessoa que comentou do vazamento porque se trata de um funcionário do próprio DAE e que, portanto, ficaria exposto a represálias.

A nota também garante que o conserto seria realizado ontem pelo Serviço de Manutenção da autarquia.

A reportagem do JC retornou no final da tarde de ontem à rua Ivano Kammervorak constatando que o vazamento foi realmente consertado. Porém, o asfalto não foi recuperado assim como um vazamento estancado na quadra 2 da rua Walter Rodolpho, na Vila Industrial, há algumas semanas, permanece na terra e virou ponto de desvio de carros e ônibus.


____________________

Maior temperatura para fevereiro

A sensação era mesmo de mais de 40 graus no Centro de Bauru ontem enquanto que os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), captaram a maior temperatura para o mês fevereiro dos últimos 12 anos em Bauru. Eram 15h10, com 36,3 graus e umidade relativa do ar em 32%. A mínima do dia foi de 22,3 graus aferida às 5h35, e superando os 22 graus da madrugada da última terça-feira.

Desde 2001, a maior temperatura em fevereiro era de 36.2 graus, registrada em 2003, superada pelos 36,3 graus de ontem. A meteorologista do IMPet Rita Cerqueira Lopes diz que as projeções para o final de semana são de chuva. Ela cita que uma frente fria na região sul do País se desloca para o sudeste, devendo chegar ao Estado de São Paulo hoje trazendo chuva. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CpTec) projeta temperatura máxima hoje de 34 graus.

Comentários

Comentários