Mairinque - A aposentada Euzira Fonseca Correa, 70 anos, ficou assustada quando chegou à praça central de Mairinque (278 km de Bauru), ontem à tarde, e percebeu a presença de dezenas de policiais militares cercando a área e o fórum. “Nunca tinha visto tantos PMs aqui antes. Foi fuga de presos ou mataram alguém?”, questionou a aposentada.
Não era uma coisa nem outra. Os 65 PMs que cercaram o fórum estavam ali por causa do julgamento de 38 réus (entre homens e mulheres) acusados de integrar uma célula da facção criminosa PCC que traficava drogas e armas.
O reforço na segurança de Mairinque, 43 mil habitantes e oito homicídios ano passado, alterou a rotina da cidade: além da praça central, as ruas do quarteirão do fórum foram isoladas por orientação do Tribunal de Justiça. Esse isolamento fez com que as aulas em uma escola e cerca de 12 comércios do entorno ficassem fechados. Todas as entradas e saídas de Mairinque também passaram o dia com vigilância da PM.
Para evitar atentados ou tentativas de resgate dos 38 réus, o fórum teve o expediente alterado e só podia ser acessado por policiais, funcionários do Judiciário ou advogados dos 38 réus. Valter Lazaro José da Silva Júnior, 1.º tenente da PM e responsável pelo esquema de segurança ontem na cidade, disse que o julgamento dos 38 acusados de integrar o PCC tinha uma simbologia: “É a resposta para a sociedade da nossa cidade de que o trabalho das polícias Militar e Civil está aqui hoje, para ser apreciado pela Justiça”.
O delegado Alexandre Cassola, coordenador da operação que prendeu ao todo 50 pessoas (12 delas serão julgadas na próxima sexta-feira), disse que a quadrilha foi monitorada por dez meses e que 550 horas de escutas telefônicas comprovam os crimes atribuídos aos réus.
Segundo Cassola, a célula do PCC de Mairinque usava dinheiro roubado de caixas eletrônicos para investir no tráfico de drogas e armas. Até a conclusão desta edição, o julgamento prosseguia.