São Paulo - “O movimento como vereis foi de ordem subversiva e não de uma greve ou ‘parede’ comum e frequente em toda a parte”. Assim foi descrita uma greve de trabalhadores da Companhia “Mogyana” por um engenheiro de 1920.
O documento é parte de uma exposição virtual sobre as ferrovias paulistas, lançada agora pelo Arquivo Público do Estado. São, ao todo, 161 papeis para consulta online e impressão, entre mapas, recortes de jornais, documentos oficiais e fotografias.
Eles ilustram painéis resumindo como surgiu a malha ferroviária paulista, que chegou a ter 8.622 km de trilhos em seu auge, como foi a criação da Fepasa, a formação dos ferroviários, as greves que promoveram e o declínio diante do modelo rodoviário.
O objetivo do projeto, segundo o Arquivo Público, é ajudar os professores de ensino fundamental em sala de aula. Por isso, há uma seção com sugestões de atividades pedagógicas. Segundo o historiador responsável Stanley Plácido, o tema é pouco tratado nas aulas de história.
Para Ralph Giesbrecht, pesquisador ferroviário e da história de São Paulo, o acervo da exposição ficou muito “superficial” e “não oferece praticamente nenhum detalhe”, mas pode ajudar a quem desconhece totalmente a história das ferrovias.
É também a crítica de Carlos Alberto Rollo, diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária em São Paulo, para quem o site deveria ter sido mais amplo e com mais fotografias. Mas ele diz que o site tem bom conteúdo bibliográfico.
“O tema possibilita ao professor ir além, falar do café, da imigração, da expansão do interior etc”, diz o diretor do Departamento de Preservação do Acervo do órgão, Lauro Ávila Pereira.
A exposição pode ser consultada no link: arquivoestado.sp.gov.br/exposicao_ferrovias.