Internacional

Fúria não detém os cortes na Grécia

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Atenas - O Parlamento da Grécia aprovou um impopular projeto de austeridade ontem para garantir um segundo resgate da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e evitar um calote nacional (veja quadro).


Ao mesmo tempo, prédios queimavam na região central de Atenas e a violência se espalhava em todo o país. Ao todo, 199 dos 300 parlamentares apoiaram o projeto, mas 43 deles de dois partidos do governo do primeiro-ministro Lucas Papademos, os socialistas e conservadores, rebelaram-se ao votarem contra o projeto. Eles foram imediatamente expulsos de suas legendas.


Cinemas, cafés, shoppings e bancos eram vistos em chamas na região central de Atenas, e manifestantes com máscaras pretas enfrentavam a política do lado de fora do Parlamento, antes de os parlamentares aprovarem o pacote que prevê profundos cortes em salários, pensões e de emprego - o preço de um resgate de 130 bilhões de euros (172 bilhões de dólares) necessário para manter o país solvente.


A rebelião e a violência nas ruas dão uma prévia dos problemas que o governo grego enfrenta para implementar os cortes, que incluem uma redução de 22 por cento no salário mínimo - um pacote que, segundo críticos, condena a economia a se afundar numa espiral de baixa ainda mais profunda.


Papademos, um tecnocrata que caiu de paraquedas na crise, condenou a pior onda de protestos desde 2008, quando a violência assolou a Grécia por semanas após a polícia atirar num estudante de 15 anos.


“Vandalismo, violência e destruição não têm lugar num país democrático e não serão tolerados”, afirmou ele ao Parlamento conforme preparava a votação.


Mas ele admitiu que será difícil impor as medidas de auteridade sobre a nação, já golpeada por vários anos de cortes. “A total, oportuna e eficaz implementação do programa não será fácil. Estamos totalmente cientes de que o programa econômico significa sacrifícios de curto prazo para a população grega”, disse Papademos.


A Grécia precisa de financiamentos internacionais antes de 20 de março, para pagar 14,5 bilhões de euros em dívidas. Do contrário, sofrerá um caótico default que poderá sacudir toda a zona do euro.


Fora do Parlamento, o caos dominou. Um fotógrafo da Reuters viu prédios em Atenas tomados por chamas e grandes colunas de fumaça subirem ao céu durante a noite. “Nós estamos enfrentando destruição. Nosso país, nosso lar, se tornou lenha para queimar, o centro de Atenas está em chamas. Nós não podemos permitir que o populismo queime o nosso país”, afirmou ao Parlamento o conservador Costis Hatzidakis.


O ar em torno da Praça Syntagma, do lado de fora do Parlamento, estava carregado de gás lacrimogênio, na medida em que a polícia lutava contra jovens que jogavam bolas de gude e ativaram pedras e bombas incendiárias.


Gregos e turistas aterrorizados fugiam das ruas cobertas de pedras e de nuvens de gás, amontoando-se em saguões de hotéis em busca de abrigo, ao mesmo tempo em que filas de policiais tentavam conter o caos.


Nas ruas de Atenas, muitos pontos comerciais estavam em chamas, incluindo a casa neoclássica do cinema Attikon, datada de 1870, e o edifício Asty, um cinema subterrâneo usado pela Gestapo como câmara de tortura durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Comentários

Comentários