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Melhoria da ocupação urbana será o desafio dos próximos anos, diz Secovi

Wilson Marini Rede APJ
| Tempo de leitura: 3 min

Ampliar o acesso das famílias à moradia digna e promover cidades sustentáveis são desafios do setor imobiliário que devem ser enfrentados pelo setor imobiliário nos próximos anos, segundo o novo presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Cláudio Bernardes. “Defendemos a adoção de novos modelos de ocupação urbana, racionais e sustentáveis, inteligentes e eficazes, que privilegiem também o adensamento responsável e equilibrado” diz ele.


Bernardes foi eleito com 95% dos votos válidos para o biênio 2012/14 no lugar de João Crestana, que ocupou a presidência da entidade por duas gestões consecutivas. O Secovi é o maior sindicato do segmento na América Latina.


Formado em engenharia civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia em 1977, Bernardes tem mestrado pela Universidade de Sheffield (Inglaterra), é diretor-presidente da incorporadora Ingaí, atua há mais de 30 anos na aérea de desenvolvimento urbano no Interior e Capital do Estado e é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).


Poucas horas antes de sua posse, ontem à noite, em festa prestigiada por autoridades governamentais e lideranças empresariais de todo o País, no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo, Bernardes deu a seguinte entrevista à Rede APJ:




Rede APJ - Qual será o maior desafio do setor imobiliário nos anos de sua gestão e que merecerão atenção especial do Secovi?


Cláudio Bernardes - A melhoria na ocupação urbana norteará os trabalhos do Sindicato da Habitação nos próximos dois anos. A última década foi marcada pela criação do necessário marco regulatório para o bom funcionamento financeiro do setor, da liberação de crédito para a produção e aquisição de imóveis, com prazos e juros razoáveis, e o lançamento de um programa habitacional voltado ao atendimento de famílias de baixa renda, com a concessão de subsídios. Agora, precisamos decidir qual a cidade que queremos. O município de São Paulo, por exemplo, cresceu de maneira descontrolada, em virtude da aplicação de planejamento urbano inadequado para o modelo de crescimento que a cidade experimentou nos últimos  anos. Isso tem prejudicado cada vez mais os cidadãos, que perdem qualidade de vida ao enfrentarem enormes problemas de mobilidade, pois moram em um extremo da cidade e tem de trabalhar no outro. Agora, defendemos a adoção de novos modelos de ocupação urbana, racionais e sustentáveis, inteligentes e eficazes, que privilegiem também o adensamento responsável e equilibrado.




Rede APJ - Como o senhor se posiciona frente ao crescente debate sobre a sustentabilidade na construção e urbanismo?


Bernardes - Defendemos a adoção de novos modelos de ocupação urbana, com adensamento responsável. Temos tecnologias e sistemas capazes de integrar as novas construções ao meio ambiente, com responsabilidade social e preservação histórica e cultural. Aliás, temos condições de resgatar espaços urbanos, reordená-los, remediar terrenos e devolvê-los à população, recuperar bairros degradados, ressuscitar mananciais. Queremos convergir e não divergir ou dividir. Com o diálogo permanente, teremos de desenvolver um trabalho técnico e debatê-lo amplamente com a sociedade.




Rede APJ - O que o setor imobiliário pode inovar nos próximos anos frente à necessidade de inclusão do maior número de famílias carentes de habitação?


Bernardes - Defendemos a elaboração de um plano de longo prazo, que privilegie a organização social, econômica, urbana e ambiental, com o uso inteligente dos espaços e seus recursos, a fim de promover melhores condições de vida. Defendemos as cidades compactas, onde pessoas morem perto dos locais de trabalho, educação e diversão, com pessoas e famílias de diferentes rendas convivendo harmoniosamente, sem segregação.

 

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