Uma jovem de 24 anos denunciou ter sido mantida em cárcere privado pelo seu ex-namorado, que não aceitava o término do relacionamento. Ela ficou trancada por cerca de 12 horas em uma residência localizada no Núcleo Mary Dota, em Bauru.
De acordo com o boletim de ocorrência (BO), a promotora de vendas B.F.R.C. relatou aos policiais que na madrugada de domingo, por volta das 4h30, dormia na casa dela acompanhada apenas pela irmã de 17 anos, pois a mãe viajava por motivos de trabalho. Foi quando o ex-namorado C.C.B.P.C., 22 anos, apareceu no local dizendo que queria conversar.
Segundo ela, o namoro acabou em novembro do ano passado, pois C. havia se envolvido com drogas. Desde então, ele passou a ameaçá-la por não aceitar a separação.
Ao sair no portão para tentar conversar com o ex-namorado, a vítima foi ameaçada de morte mais uma vez. “Se você não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém”, teria dito ele à jovem.
C., então, teria exigido que ela o acompanhasse e, com medo de que ele a matasse, a jovem subiu na moto e foi levada até a residência de seu agressor.
No local, segundo o BO, ele a manteve trancada até as 17h. Ainda segundo a garota, durante o cárcere, ela foi ameaçada várias vezes, mas não chegou a ser agredida. Depois de implorar para ser solta, o jovem a levou de volta à sua residência.
Com medo de que o ex-namorado concretize as ameaças de morte, B. formalizou a representação criminal contra ele por ameaça, agressão física e psicológica, além de sequestro. Apesar das diligências feitas próximo ao local onde o o ex-namorado reside, ele não havia sido localizado até o fechamento desta edição.
Procurada pela reportagem na tarde de ontem, a jovem não quis conceder entrevistas. Segundo ela, o motivo seria medo de represálias. Ela ainda pediu, por motivos de segurança, para que os nomes dos envolvidos não fossem divulgados.
Investigações
Na manhã de ontem, a jovem foi ouvida na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A delegada titular Flávia Regina dos Santos Ueda não quis revelar detalhes para não atrapalhar as investigações, porém, afirmou que o inquérito já está em curso, independente da vontade da vítima.
“O inquérito já está instaurado e, como é uma ação pública incondicionada, não depende da representação da jovem. Assim, iremos investigar de qualquer maneira”, completa a delegada.
Já em relação ao ex-namorado, Flávia Ueda conta que ele ainda está em liberdade e que a prisão dele ainda não foi pedida, porém, espera ouvi-lo, em breve.